A COPA DO MUNDO DA FIFA NÃO É SÓ SOBRE FUTEBOL
Em meio à avalanche de escândalos e fake news que integraram a Copa do Mundo 2026, entre 11 de junho a 19 de julho de 2026, com partidas sediadas em três países – Canadá, Estados Unidos da América (EUA) e México – a FIFA [Federação Internacional de Futebol] atraiu 48 seleções participantes. Como campeões, Espanha e Argentina, Campeão e Vice-Campeão, respectivamente.
Copa do Mundo 2026: alguns símbolos
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Correio Braziliense, 2026. |
Além dos três anfitriões eis, da América do Sul – ?Argentina, Brasil, Colômbia, Equador, Paraguai e Uruguai; da África – África do Sul, Argélia, Cabo Verde, Costa do Marfim, Egito, Gana, Marrocos, República Democrática (RD) do Congo, Senegal e Tunísia; da Ásia – Arábia Saudita, Catar, Coreia do Sul, Irã, Iraque, Japão, Jordânia e Uzbequistão; da Oceania – Austrália e Nova Zelândia; da Europa – Alemanha, Áustria, Bélgica, Bósnia-Herzegovina, Croácia, Escócia, Espanha, França, Holanda, Inglaterra, Noruega, Portugal, República Tcheca, Suécia, Suíça e Turquia (cuja maior parte do território, incluindo a capital Istambul, fica na Ásia e pequena porção na Europa); e, por fim, Curaçau, Haiti e Panamá, região da América Central e do Caribe.
As ações reprováveis e contínuas do presidente norte-americano Donald John Trump, em todas as instâncias, se repetiram na Copa do Mundo 2026, a exemplo da tentativa de interferir diretamente nas diretrizes da FIFA. Em contato pessoal com o presidente da Federação, Gianni Infantino, solicitou revisão e cancelamento do cartão vermelho do jogador estadunidense, Folarin Balogun, na partida contra Bósnia-Herzegovina, acusando o árbitro brasileiro Raphael Claus de cometer grave injustiça contra o artilheiro. Para surpresa de todos, a FIFA, vergonhosamente, cedeu e permitiu a presença de Claus no confronto de oitavas de final dos EUA contra a Bélgica.
Há mais. Trump chegou a vetar a entrada de delegações, de profissionais de jornalismo e até de árbitro, sem qualquer justificativa convincente. Episódio estarrecedor diz respeito ao somali Omar Artan, impedido de entrar no “Império americano”, especificamente, no Aeroporto Internacional de Miami e, então, cortado da arbitragem da Copa do Mundo pela FIFA. Artan estava prestes a fazer história pelo seu país, mas seu sonho foi bruscamente adiado. Seria o primeiro juiz da Somália a apitar numa Copa, na condição de um dos principais árbitros da África e eleito o melhor árbitro masculino desse continente, em 2025. Covardemente, ou, se quiserem, diplomaticamente, a Federação limitou-se a dizer que "[...] não se envolve nos processos de imigração dos países-sedes". E o que dizer do assombroso veto à equipe do Irã em se hospedar nos EUA?
Indo além, algumas brigas entre companheiros de um mesmo time e/ou entre equipes e torcidas, em meio a cenas deploráveis e inadmissíveis de racismo e xenofobia, como imitação grotesca de macacos por parte de vis torcedores para ofender jogadores negros. Denúncias contra dirigentes da FIFA e de suas Associações sediadas em diferentes nações, como, no Brasil, vieram à tona. Por aqui, o titular da Confederação Brasileira de Futebol é alvo de rumores por, supostamente, bancar viagem de suas amadas aos torneios no exterior com dinheiro da CBF. Repercutiu negativamente (e muito) o congraçamento público e vibrante entre o Presidente da Associação de Futebol da Argentina, o dirigente da Confederação Sul-Americana de Futebol e o Presidente da FIFA, quando da surpreendente virada argentina por 3 x 2 na prorrogação da partida entre Argentina e Egito, nas oitavas de final da Copa do Mundo 2026, disputada no Hard Rock Stadium, Miami. Afinal, COMEBOL e FIFA deveriam manter compostura imparcial por sua função mor de agregar, respectivamente, países sul-americanos e ao redor do mundo. O ponto culminante registra a equipe da Argentina, na final do dia 19 de julho, de costas para os vencedores espanhóis, numa cena ridícula e, talvez, grotesca... Uma única exceção: o atacante argentino Flaco López, que permaneceu de frente em respeito à celebração dos campeões.
Em contraposição, muito brilho e muita coisa boa. Chama atenção o esforço hercúleo das equipes do continente africano. Destaque para o carisma e brilho próprio de Cabo Verde. O goleiro Vozinha, a quem o jogador de futebol argentino, Lionel Messi, negou um abraço, deu um banho de resiliência e de amor à sua terra, deixando a população brasileira totalmente apaixonada pelos cabo-verdianos. Quando uma nação pequena e pobre está à frente das poderosas, parece que a maioria dos indivíduos parece se irmanar, como visse sua luta diária retratada nos gramados. São sonhos acalentados. Esperanças renovadas. É o belo sentimento de que as somas elevadas que escorrem em vestuários e bastidores são desprezíveis diante dos valores éticos e de amor ao outro, não importa de onde venha. Da Oceania ou do Uruguai; da Argélia ou da Noruega; de Curaçau ou do Uzbequistão.... Do mundo de empresários ou professores; imigrantes ou cientistas esportivos; pescadores ou nobres...
Reforçamos que a Copa do Mundo da FIFA não é só sobre futebol. É sobre empatia, inclusão, aceitação do diferente, compaixão, amor, encontros e devaneios. Alguns exemplos... Nas arquibancadas do Estádio Azteca (Cidade do México, México), em partida do Uzbequistão contra Colômbia, fase de grupos da Copa 2026, um menino uzbeque, com uma réplica da taça da Copa em mãos, chorou copiosamente, logo após a vitória de 3 x 1 a favor da equipe colombiana. Diante da aflição do pequeno, torcedores da Colômbia, em vez de celebrarem o feito, começaram a cantar em coro: "Uzbequistão! Uzbequistão!", para consolar a criança, perfazendo cena emocionante e coalhada de afeto.
Ainda na fase de grupos da Copa, durante duelo Canadá e Catar, o meio-campista canadense Ismaël Koné sofreu grave fratura na perna esquerda sofrida, depois de entrada violenta do jogador catari Madibo, que acabou expulso. Apesar da gravidade do trauma, Koné deixou o gramado sorrindo para seu público. Madari, por sua vez, saiu aos prantos e assim que possível, por iniciativa própria, foi aos vestiários dos canadenses para se desculpar com Koné, lembrando que, antes de um adversário, existe, sim, um ser humano em dor!
O meia inglês Jude Bellingham, por sua vez, deu uma lição suprema de amor ao próximo. Dentre seus muitos companheiros de equipe deu uma lição suprema de empatia. Foi o único dentre jogadores e técnicos da seleção daquele país a parar por alguns momentos na zona mista para conceder entrevista a um repórter venezuelano, em cadeira de rodas, após a partida da Inglaterra contra a RD do Congo. O jornalista aproveitou a oportunidade para pedir uma mensagem de apoio para sua gente, vítima de dois severos terremotos, 24 de junho, transmutando a Venezuela num oceano de desesperança e de dor.
Há, ainda, a história emocionante do pequeno mexicano Santi, flagrado pelas câmeras de tevê nos arredores do citado Estádio Azteca, antes do jogo entre México e África do Sul, vestido com suéter verde com estampas do Papai Noel relembrando o Natal. Era o que tinha. Para ele, mais do que a aparência de qualquer camisa, estava a beleza de realizar sonhos e de ser o que é e com o que possuía para chamar de seu. Camisas nas cores do México chegaram para presenteá-lo, mas nada tirou o brilho de Santi. E há mais, envolvendo, inclusive, lindas coincidências, como a divulgação de foto de Messi dando banho no bebê, Lamine Yamal, agora, capitão espanhol, em campanha publicitária da UNESCO, ano 2007. Os japoneses deram um banho de civilidade, ao deixar as arquibancadas impecáveis em dias de jogo de seu país...
Em se tratando de pesar e tristeza, o holandês, Rob Dieperink, 38 anos, foi encontrado morto em sua casa, na Holanda, no dia 13 de julho, em circunstâncias ainda não elucidadas pela polícia. Dieperink fora excluído pela FIFA como árbitro de vídeo da Copa do Mundo 2026, porque, em abril, sofreu denúncia de abuso sexual contra um adolescente de 17 anos. Embora o caso tenha sido arquivado por falta de provas, a FIFA não reconsiderou a exclusão. Na mesma linha de consternação, o sul-africano Jayden Adams, 25 anos, faleceu no dia 11 de julho de 2026, na Cidade do Cabo, quase depois de ter representado a seleção da África do Sul. A causa mortis também não foi revelada.
São eventos que confirmam a multiplicidade do que envolve a Copa do Mundo da FIFA, que, de fato, não é só sobre futebol! Vai muito além! Alcança a beleza ímpar de Keyne, irmão de três anos do atacante espanhol Yamal, cujo sucesso nas redes sociais garantiu a doçura da Copa do Mundo da 2026 e pôs para baixo dos tapetes a falta de ética de alguns esportistas e dirigentes do futebol mundial, afinal é impossível não amar Keyne, em sua doçura e espontaneidade de criança...
É impossível não amar Keyne
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Fonte: |
X.com, 2026. |