ALÉM DAS BIBLIOTECAS


ONDE ESTÃO NOSSOS DESAPARECIDOS?

Quando falamos de desastres naturais, fazemos alusão a cinco grandes grupos. Os desastres geológicos incluem terremotos, deslizamentos de terra e erupções vulcânicas, enquanto os hidrológicos remetem a inundações, enxurradas e grandes ressacas. Os meteorológicos, por sua vez, lembram ciclones, tornados e tempestades; e os desastres climatológicos incluem secas prolongadas e ondas de calor, como a que varre, no momento, o continente europeu. Os desastres biológicos são eventos que causam danos à saúde pública, ao meio ambiente e à economia. Incluem epidemias, pandemias e infestações por pragas, causadas, muitas vezes, por desequilíbrios ecológicos e/ou degradação ambiental. A Covid-19 é um exemplo mundial devastador.

Enquanto no Brasil, os maiores desastres naturais de sua história, em geral, resultam de eventos climáticos extremos e deslizamentos de terra, eis a vizinha Venezuela (fronteira direta com o Brasil, ao Sul), afundada num mar de dor advinda de dois severos terremotos ocorridos no dia 24 de junho, quando o povo brasileiro festejava o São João e a Copa do Mundo, seguidos de sucessivos e “pequenos” tremores de terra. Trata-se de país que, há anos, vivencia séria crise política e econômica desde a adoção do regime ditatorial, instalado na chamada era chavista, sob o comando de Hugo Rafael Chávez Frías, 1999 até 2013. Com sua morte, na capital Caracas, ascende ao poder Nicolás Maduro Moros, 2013 a 2026, que dá andamento a uma série de medidas contra a população, incrementando a migração. Aliás, é numa prisão, descrita por vários advogados e juízes estadunidenses como “inferno na Terra”, no Brooklyn, Nova York – EUA, que Maduro está detido junto com sua esposa, Cília Flores, desde 3 de janeiro de 2026. A captura esdrúxula, ocorrida em Caracas, sob a responsabilidade direta do presidente norte-americano, Donald J. Trump, sob a acusação de tráfico de drogas e narcoterrorismo, requer, reconhecemos, texto mais aprofundado.

O fato é que, nos dias atuais, há venezuelanos nos mais distintos recantos, em especial, no continente americano, quer dizer, na América do Sul. Por exemplo, no Brasil, são cerca de 582 mil deles, com residência fixa e registro regularizado, espalhados nas cinco regiões, sobretudo, Norte, Nordeste e Sul, o que corresponde à comunidade mais numerosa de estrangeiros no país, com a chance de se chegar, em breve. a 680 mil cidadãos. Foi o duplo terremoto da noite de quarta-feira (do citado 24 de junho), que expôs a chaga da miséria ou da precariedade crônica que o país enfrenta há décadas desde a Revolução Bolivariana ou administração chavista. Os sismos aconteceram no Estado de Yaracuy, Noroeste da Venezuela, atingindo as localidades de San Felipe e Yumare. O primeiro deles foi registrado em torno de 18:04 horas (horário de Brasília), com magnitude de 7,2 Mw, sigla que nomeia, desde 1979, a Escala de Magnitude de Momento, medida padrão utilizada por expertos em sismologia, como o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), para mensurar tamanho e energia liberada por abalos sísmicos de médio a grande porte. Após incríveis 29 segundos, novo abalo de 7,5 Mw.

É quando vem à tona grandes e inescrutáveis feridas que atingem a nação caribenha. O Governo interino de Delcy Rodríguez, sob a proteção dos EUA, precisa enfrentar a questão imediata dos números aterradores já inseridos à história do país. O USGS indica a expectativa de elevação em torno de 39% do total dos quase 2.300 mortos. No dia de hoje, os feridos somam em torno de 10.571 e, inacreditavelmente, há cerca de 50 mil desaparecidos. São totais voláteis e oscilantes. é uma conta que, definitivamente, não fecha...

O Governo parece aturdido, não obstante a ajuda de 30 outros países com equipes de profissionais aptos a auxiliar no resgate, aeronaves e ajuda humanitária, sob a supervisão da Organização das Nações Unidas (ONU). Entre eles, o Brasil. O Governo Federal enviou, além de aeronaves, medicamentos e um módulo que permite a instalação dos chamados hospitais de campanha. Advindos, ainda, dos EUA, listam-se tropas e navios para operacionalizar a reabertura do Porto de La Guaira, infraestrutura marítima que exerce a função de porta principal de entrada para Caracas e para o Aeroporto Internacional Simón Bolívar ou “Maiquetía”, o mais importante aeroporto entre os 20 outros internacionais. O esforço conjunto envolve até agora mais ou menos 500 toneladas de suprimentos, graças, também, a El Salvador, Chile, República Dominicana, Espanha, França, Alemanha, Suíça e China.

Venezuela: escombros, cidades em ruínas, quarteirões destruídos

       Fonte: pexels-doruk-aksel-anil-477355556-15861615.jpg

Sem coordenação estatal, o cenário escancara a situação terrível da nação hermana, constatando a negligência e o fracasso do Poder constituído, em meio a milagres, como a salvação no sexto dia de um menino de três anos de idade, em 30 de junho. A gente venezuelana se desespera. Os cidadãos assumem, com frequência, a improvisação do resgate de sobreviventes, que começa a rarear. É evidente que a probabilidade de encontrar vivos se reduz a cada hora/minuto que passa.

Sem coordenação estatal: o que fazer; que rumo tomar?

                          Fonte: pexels-doruk-aksel-anil-477355556-15861615.jpg

O colapso do sistema de saúde é devastador. Os hospitais não afetados estão superlotados. Afinal, quantidade elevada de profissionais de saúde estão entre os desaparecidos. O desencontro ou lentidão de informações é caótico, fazendo “dobradinha” com a infraestrutura para lá de precária. Faltam máquinas. Falta tudo. Em seu lugar, restam escombros, cidades em ruínas, quarteirões destruídos, quase 59 mil prédios no chão ou seriamente danificados e inacreditáveis roubos e saques...

Os cidadãos começam a clamar e gritar: onde estão nossos desaparecidos? 


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MARIA DAS GRAÇAS TARGINO

Doutora em Ciência da Informação e jornalista, finalizou seu pós-doutorado junto ao Instituto Interuniversitario de Iberoamérica da Universidad de Salamanca e Máster Internacional en Comunicación y Educación da Universidad Autónoma de Barcelona, ambos na Espanha. Sua experiência acadêmica inclui cursos em outros países, como Inglaterra, Cuba, México, França e Estados Unidos. Autora de livros e capítulos, artigos científicos em ciência da informação e comunicação, enveredou pela literatura como cronista, com os títulos: “Palavra de honra: palavra de graça”; “Ideias em retalhos: sem rodeios nem atalhos”; “Amar, viver, escrever”; “Embarques e desembarques”; além de inúmeras participações em coletâneas literárias. Por longos anos, manteve vinculação com a Universidade Federal do Piauí e Universidade Federal da Paraíba. Membro da Academia de Literatura de Teresina e da União Brasileira de Escritores – Seção Piauí, mantém coluna semanal em jornal de Teresina; coluna bimestral no INFOHOME; e contribuições sistemáticas junto a páginas eletrônicas. Dentre as láureas: Prêmio Nacional Luiz Beltrão de Comunicação, Intercom; Prêmio do Programa Informação para Todos, Unesco; Título de Cidadã Teresinense, Câmara Municipal de Teresina; e Prêmio “Mérito Jornalístico”, Câmara Municipal de Teresina; Homenageada do SALIPI 2024. E-mail: gracatargino@hotmail.com