GP - INFORMAÇÃO: MEDIAÇÃO, CULTURA, LEITURA E SOCIEDADE


  • Grupo de Pesquisa - Informação: Mediação, Cultura, Leitura e Sociedade - Textos elaborados por membros do Grupo, visando a divulgação de pesquisas específicas realizadas no seio do GP e a disseminação de discussões e reflexões desencadeadas pelos integrantes do grupo.

EDUCAÇÃO: UMA INFORMAÇÃO SOCIAL

Marcela Arantes Ribeiro

A sociedade, em sua complexidade, apresenta relações tensionadas entre indivíduos que demandam por reflexões e ações que se embasam nas discussões das relações construídas historicamente e fortalecidas no âmbito social e cultural. Nessa discussão, tem-se as informações envoltas às temáticas sobre educação na sociedade, especificando a brasileira e respaldando no Art. 205 da Constituição Federal de 1988: “[...] a educação, direito de todos e dever do Estado e da família [...] visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho” (BRASIL, 1988). Sendo a educação direito de todos, se faz necessária a apropriação dessa informação por parte de todos os cidadãos, partindo do princípio que a educação é um caminho para o desenvolvimento da sociedade, no sentido amplo e enfatizando o social.

A formação, o desempenho e o desenvolvimento das pessoas de uma sociedade são transversalizados pela educação em múltiplos espaços que impulsionam as relações de interação que instigam a construção do conhecimento (ALMEIDA JÚNIOR, 2015; SILVA, 2017) necessário ao fomento e (re)significação da informação que, por sua vez, ocorre em processo contínuo; no caso do presente tema, a informação na promoção dos meios necessários ao acesso à educação, tendo como fonte a educação direito de todos.

A partir dessa argumentação e no escopo epistêmico da Ciência da Informação, o objetivo deste texto é inter-relacionar a mediação da informação com a informação sobre a educação para todos visando a apropriação dessa e a transformação nas relações sociais. Somando as crescentes reflexões e valorização das discussões envolta das informações sobre igualdade, equidade, solidariedade e justiça social, podendo fortalecer o despertar de uma outra mentalidade sobre as relações na sociedade, no que tange ao acesso, apropriação e ressignificação dessas informações com resultado no coletivo e com ações transformadoras nas relações sociais.

Na mediação da informação, como um processo, vislumbra-se a renovação do ciclo de vida da informação na sua significação por parte do usuário de forma individual e particular; nesta compreensão, o sujeito social vinculado à um contexto histórico-social. Tal apontamento torna-se importante ao considerar que a ação de interpretar, apropriar e ressignificar as informações perpassa pela história de vida desse sujeito, ou seja, nas relações do que chega e do que já existe enquanto informações que impulsionam os conflitos informacionais de sujeitos de uma sociedade.

Nessa perspectiva, há de se pontuar que as necessidades informacionais são momentâneas e podem gerar outras demandas, movimentando, assim, a dinâmica e as mudanças nas relações de uma sociedade. Ampliando a discussão, temos as informações em escalas globais interferindo/ influenciando nos locais; considera-se que essa complexidade “é esse conjunto de coisas que fará com que um mesmo processo de escala mundial tenha resultados distintos, particulares, segundo os lugares” (SANTOS, 2008, p. 54). Assim, o processo de mediação da informação adentra as particularidades dos lugares e considera, também, o contexto macro das demandas informacionais dos usuários a serem mediadas por um terceiro elemento. As argumentações expostas fundamentam-se no conceito de mediação da informação de Almeida Júnior (2015, p. 25) como uma ação de interferência realizada por um terceiro elemento que visa a apropriação da informação por parte do usuário da informação, bem como atende momentaneamente as necessidades informacionais e ao gerar conflitos geram, também, novas necessidades informacionais.

Ao considerar o exposto e como possibilidade de representar essa relação no processo de mediação da informação tem-se a figura 1:

Figura 1: Representação relacional da ação de mediar

Figura 1


Fonte: EPIM/2021

Retomando a informação sobre a educação na concepção social, nota-se a inter-relação com a mediação da informação no processo mediador que impulsiona a necessidade de demonstrar em múltiplas linguagens (ALMEIDA JÚNIOR, 2009) a importância da educação em todos os níveis para os cidadãos da sociedade. Dito isso, destacam-se as ações de modificar, alterar, organizar e, principalmente, transformar os estímulos, ou seja, possibilitar a construção de sentido (apropriação da informação) por parte do usuário, da importância da educação para sua vida. A disseminação da informação da educação para todos, bem como o impulsionamento de lutas para o acesso à educação geram os caminhos para as transformações nas relações sociais.

Tais argumentações tornam-se possíveis por compreender a informação na concepção social vinculada ao modelo pragmático e sociocultural; sobre essa concepção Araújo (2018, p. 47) explana que a “[...] informação é algo da ordem não apenas do objetivo ou do subjetivo mas também do coletivo, de uma construção social”. Assim, a educação perpassa por uma informação social sendo construída no processo de atribuição de significado com autonomia (FREIRE, 1996) pelo usuário, na perspectiva de ensino em todas as relações humanas.

Por fim e ao compreender a sociedade na sua complexidade, tem-se as informações que impulsionam as mudanças sociais e, no processo de mediação da informação, adentra-se ao contexto histórico e sociocultural do sujeito, visando a apropriação de informações que garantem o direito ao acesso à educação potencializando as mudanças sociais. Dito isso, reitera-se o papel social do usuário na construção de sentidos e da representação de informações na/para a sociedade.

As reflexões apresentadas neste texto estão abertas para outras análises e contribuições que fortaleçam e ampliem as discussões da mediação da informação no campo teórico da Ciência da Informação.

Referências

ALMEIDA JÚNIOR, O. F. de. Mediação da informação e múltiplas linguagens. Pesq. bras. CI. Inf., Brasília, v. 2, n. 1, p. 89-103, jan./dez. 2009. Disponível em:  https://brapci.inf.br/_repositorio/2010/01/pdf_9aa58ba510_0007871.pdf. Acesso em: 19 maio 2022.

ALMEIDA JÚNIOR, O. F. de. Mediação da informação: um conceito atualizado. In: BORTOLIN, S.; SANTOS NETO, J. A dos.; SILVA, R. J. da (Orgs.). Mediação oral da informação e da leitura. Londrina: ABECIN, 2015. 278p. p.9-32.

ARAUJO, Carlos Alberto Ávila. O que é Ciência da Informação. Belo Horizonte: KMA, 2018.

BRASIL. [Constituição (1988)]. Constituição da república federativa do Brasil, Brasília, 1988. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm. Acesso em: 18 maio 2022.

FREIRE, P. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996.

SANTOS, Milton. Metamorfoses do espaço habitado: Fundamentos teóricos e metodológicos da Geografia. 6. ed., São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2008.

SILVA, Jonathas Luiz Carvalho. Fundamentos da informação I: perspectivas em Ciência da Informação. – São Paulo: ABECIN Editora, 2017. Disponível em: http://www.repositoriobib.ufc.br/000042/00004231.pdf. Acesso em: 19 maio 2022.


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