ALÉM DAS BIBLIOTECAS


VIMOS PAPAI NOEL - VIMOS A AURORA BOREAL

Região do Ártico e medo do frio

Muito antes de lançar o livro “Embarques e desembarques: relatos de viagem”, 2023, precisei responder dezenas de vezes à pergunta: “qual país dentre os que conheceu, que você mais gostou?” Lá ia a resposta quase igual: “é difícil selecionar. Cada país ou cada povo tem suas particularidades e seus encantos...” Sempre assim, até enfrentar o Ártico, região mais ao Norte do Planeta, delimitada pelo Círculo Polar Ártico, uma linha imaginária a mais ou menos 66o do Equador, cujas temperaturas caem até -60o C no inverno. Sempre sonhara. Sempre adiara o sonho de enfrentar o gelo no sentido mais estrito do termo.

É verdade. Essa região ao redor do Polo Norte é marcada por três elementos: (1) gelo marinho; (2) tundra, bioma que, por sua baixa temperatura e curtas estações de crescimento, impede a existência de árvores, de modo que sua vegetação abrange somente arbustos, gramíneas e musgos; (3) permafrost ou pergelissolo, termos desconhecidos para nós até então, mas que descobrimos rapidinho: nomeiam camada do subsolo da crosta terrestre permanentemente congelada. Sua parcela mais extensa está situada no Hemisfério Norte, concentrando-se, em especial, na Região do Ártico, sobretudo, em terras da Rússia, dos Estados Unidos da América (EUA), do Canadá e da Dinamarca.

Diante dessas informações, as agências de viagem apresentavam rapidamente contrainformações: vocês (minha neta caçula e eu) vão estar na Finlândia, na Lapônia finlandesa e Noruega, onde o frio não é tão intenso. A agência providencia roupas térmicas, calçados apropriados e é uma experiência única diante de um frio de -9o ou -19o (na realidade, temperaturas mais baixas!). Imagina vocês estarem com Papai Noel bem pertinho; passearem, como em belos filmes, com cães Husky lhes levando gelo afora; pescarem os lindos caranguejos-reis – vermelhos ou azuis escuros – mas sempre gigantes; curtirem as águas do Oceano Ártico, pilotar o snowmobile, e mais, vislumbrarem a Aurora Boreal!!!!!

E lá fomos nós, cheias de expectativa de ver de pertinho os lindos ursos polares, as focas, as baleias e os papagaios-do-mar ou puffins. Estes últimos não os vimos. Só em fotos, mas, agora, sabemos um pouco sobre eles. Medem mais ou menos 18 cm de altura e pesam cerca de 500 gramas. Vivem em torno de 20 anos ou mais, distantes da Finlândia e do Papai Noel: “montam praça” em ilhas rochosas e em penhascos próximos ao mar na costa Nordeste dos EUA, na Groenlândia, na Islândia, nas Ilhas Faroe (território dependente da Dinamarca, entre Escócia e Islândia), na Rússia e em raros recantos da Inglaterra e França.

O Polo Norte incorpora oito países. São eles: (1) Groenlândia – território autônomo da Dinamarca e a maior ilha do mundo em área (2,16 milhões de km²), situada na América do Norte, próximo à costa Leste do Canadá e com dois terços de suas terras literalmente dentro do Círculo Ártico; (2) Islândia – bem menor do que a Groenlândia, constitui  visita obrigatória dos viageiros amantes do frio e da beleza da região; (3) Noruega – a região total da Lapônia abrange quatro países, quais sejam, Finlândia, a própria Noruega, Suécia e Rússia. A Lapônia é habitada pelo povo lapão, hoje, mais conhecido como sâmi. Configura-se como grupo étnico nativo da região lapônica, em terras que compreendem parte das regiões setentrionais não apenas da Noruega, mas também da Finlândia, Suécia e Península de Kola; (4) Suécia – famosa por sua música e paisagens apaixonantes; (5) Finlândia – a última das três nações nórdicas da Europa no Ártico, que eterniza os sonhos de Natal, com a casinha, ou melhor, o palácio de Papai Noel; (6) Rússia – a parte mais extensa do Círculo Ártico atravessa condados russos, incluindo a famosa Sibéria, conhecida mundialmente pela IK-3, temida prisão, distante e inacessível, onde os apenados vivem em meio a clima extremo, controle rigoroso e duras punições. Além dos invernos para lá de longos e rigorosos, com uma média “generosa” de ?25o, na Sibéria, está a intrigante Península de Kola. O Poço Superprofundo de Kola consistiu ambicioso projeto de prospecção científica da extinta União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), com o objetivo de perfurar a crosta terrestre o mais profundamente possível. Hoje, são ruínas abandonadas e, para muitos, a porta de entrada para o inferno; (7) EUA – por conta da aquisição do Estado do Alasca, ano 1867, os EUA mantêm território no Ártico, apesar de bastante distantes do Círculo Polar; (8) Canadá – o Norte do país abarca regiões que contribuem para a paisagem ártica.

Finlândia

De São Paulo, conexão em Frankfurt (quinta maior cidade da Alemanha) um “pulo” de cerca de 16h15m de voo aéreo para chegar a Helsinque ou Helsinki, capital da República da Finlândia, país nórdico ao Norte da Europa e banhado pelo Mar Báltico. Faz fronteira com a Suécia a Oeste; a Rússia a Leste, a Noruega ao Norte e com a Estônia ao Sul. Nesse país desenvolvido e altamente industrializado, com Produto Interno Bruto (PIB) de 282,9 bilhões de United States Dollar (USD), o setor terciário responde pela maior parcela da economia, seguido da indústria, em especial, a produção de equipamentos tecnológicos e eletrônicos.

A oitava maior nação europeia em extensão (338.462 km²) e a menos densamente povoada da União Europeia (UE), com população de 5.603.851 habitantes e densidade demográfica de 18,2 hab./km², a Finlândia conta com vastas áreas verdes (em torno de 75% de seu território) e constitui verdadeiro paraíso para qualquer um. Possui como língua nativa prevalecente o finlandês, seguido do sueco, língua materna de cerca de 5,5% de sua gente. Isto porque, o país foi parte da Suécia e, em 1809, Grão-Ducado autônomo do Império Russo. Sua Independência ocorreu em 1917, seguida por severa guerra civil; conflitos militares contra a URSS e a Alemanha nazista; optando por se manter neutro durante a Guerra Fria. A Finlândia aderiu à Organização das Nações Unidas (ONU), em 1955, e, em 1995, à União Europeia (UE), poderoso bloco econômico e maior exportador mundial de bens e serviços, figura como o maior mercado de importação para mais de 100 países. Por isso, logo mais adiante, o marco finlandês (markka), moeda adotada de 1861 até 1 de janeiro de 1999, ou melhor, até 1 de janeiro de 2002, foi substituído pelo euro (€).

Além de se impor como universo verde, a Finlândia conta com 187.888 lagos e 179.584 ilhas, dentre os quais está o Saimaa = quinto maior lago do continente europeu. A maior parte das ilhas está no Sudoeste, no Mar do Arquipélago, parte do Arquipélago das Ilhas Alândia e, também, ao longo da costa Sul do Golfo da Finlândia. A paisagem do país é predominantemente plana, com poucas colinas e montes baixos, enquanto seu ponto mais elevado é o Halti, no extremo Norte da Lapônia finlandesa, com 1.328 m. Como vimos, aproximadamente 75% da área terrestre do país está coberto por taiga (floresta boreal), com escasso chão arável, sendo o granito o tipo mais comum de rocha. A Finlândia é um dos poucos rincões, cuja superfície segue se ampliando, graças à recuperação pós-glacial que data da última era glacial: sua área expande-se cerca de 7 km por ano.

Foto 1 – Mapa da Finlândia

Fonte: Brasil Escola – UOL, 2024.

Cerca de um quarto das terras finlandesas está no Norte do Círculo Polar Ártico, de modo ser possível vivenciar a experiência do sol da meia-noite, mais frequente ao Norte. No ponto mais setentrional da Finlândia, o sol não se põe durante 73 dias no verão e não nasce durante 51 dias no inverno! Ademais, a distância entre o extremo Sul, Hanko, do extremo Norte, Nuorgam, é de, aproximadamente, 1.445 km. Quanto à fauna, as terras finlandesas abrigam, no mínimo, 60 espécies nativas de mamíferos, 248 de aves e mais de 70 espécies de peixes e répteis, sobretudo sapos. Além dos animais domésticos, é possível encontrar ursos pardos, animal nacional, além de lobos cinza, glutões, alces, renas e focas-aneladas, estas últimas habitantes do Saimaa, configurando-se como símbolo de proteção à natureza. Dentre as aves, destaque para o cisne-bravo, o cisne grande europeu e a ave nacional, qual seja, o tetraz-grande, de cor escura, peito com reflexos verdes e manchas vermelhas ao redor dos olhos. O salmão é comum e apreciado na culinária local.

No que diz respeito à prática religiosa, tal como o Brasil, a Finlândia é um país laico. A maioria (83%) dos cidadãos é adepta do Protestantismo Luterano e meros 1,1% pertencem à Igreja Ortodoxa. Registram-se 7% de ateístas, além de 0,84% declararem-se praticantes de outras religiões ao lado de 0,94% de cristãos.

Com qualidade de vida excepcional, educação de alto nível e sistema de saúde impecável, a nação dispõe de variados benefícios para os residentes. Em que pesem as dificuldades de conceituar – felicidade – a Search the United Nations, a cada ano, desde 2012, divulga o Relatório Mundial da Felicidade, medição sob encargo da Rede de Soluções para o Desenvolvimento Sustentável da ONU. Segundo a Cable News Network (CNN) Brasil, pelo sétimo ano consecutivo, dados de março de 2024, a Finlândia lidera o ranking, seguida de perto por dois outros países nórdicos – Dinamarca e Islândia – em contraposição ao Afeganistão e Líbano, categorizados como as nações mais infelizes.

Segundo o editor do Relatório, Jan-Emmanuel de Neve, Oxford University, entre os fatores marcantes para o conforto dos cidadãos, estão o PIB per capita, a distribuição “justa” de riqueza, a estabilidade psicológica e a esperança de vida longa. Em suma, a felicidade alude ao suporte social, à renda, à saúde, à liberdade, à solidariedade e à ausência de corrupção. E é preciso lembrar que o rápido avanço econômico da Finlândia ocorreu tão somente nos anos 70. Entre 1970 e 1990, construiu um sólido Estado de bem-estar social, que perdura até os dias de hoje. O Brasil, por sua vez, está bem aquém, na 44a colocação, atrás somente do Uruguai e Chile, em se tratando da América do Sul.

A este respeito, chamou nossa atenção uma medida bem particular vigente no país. De início, a partir de 1938, somente para as mães de baixa renda, haja vista que a Finlândia permaneceu como país essencialmente agrário até a década de 50. Em 1949, o Governo estendeu o benefício a quaisquer mulheres grávidas natas ou residentes na Finlândia. Estamos falando de um kit de maternidade, preparado numa caixa entregue às famílias. Como descrevemos em texto anterior da Revista INFOHOME, abril 2024, ali está o essencial para os primeiros dias de sobrevivência, como um saco de dormir, um pequeno colchão com roupas de cama, lençóis, cueiros e fraldas. O intuito é bem claro e porque não dizer, nobre: assegurar aos bebês oportunidades iguais desde sua chegada ao mundo. As mães podem escolher entre a caixa ou uma ajuda financeira, que ronda em torno de €140, mas a maior parcela prefere as singelas caixas de papelão recheadas de amor: para receber a benfeitoria em qualquer das modalidades, as gestantes necessitam seguir rigoroso pré-natal antes do quarto mês de gestação. Para os governantes, iniciativa tão simples vem sendo essencial para a nação alcançar ínfimas taxas de mortalidade infantil.

Finlândia / Helsinki

Helsinki, como antes mencionado, é a capital e a maior cidade da Finlândia, seguida de Tampere, ao lado de cidades também importantes, como Turcu, Oulu, Jyväskylä, Joensuu, Kuopio e Lahti. Na condição de República Parlamentar, o país mantém o Governo Central na capital e os governos locais, nos 348 municípios. A área metropolitana de Helsinki (inclui a própria Helsinki mais Espoo, Kauniainen e Vantaa) possui cerca de um milhão de habitantes, sendo responsável pela produção de 1/3 do PIB total da Finlândia.

Dentre os pontos de atração da capital, em sua larga avenida central, Mannerheimintie, estão instituições, como The National Museum of Finland, que delineia a história finlandesa desde a Idade da Pedra; a majestosa sede do Parlamento denominada de Eduskuntatalo e o belo Museum of Contemporary Art Kiasma. Da bela Catedral de Uspenski, feita de tijolos vermelhos, é possível avistar um porto. Ao se falar de porto, é imperdível visita à Fortaleza marítima de Suomenlinna, século 18, classificada como Patrimônio da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). Trata-se de uma região natural com artilharia centenária e muralhas defensivas, que se distende por seis ilhas conectadas, o que favorece ao viageiro cruzar a ponte levadiça King's Gate e o Suomenlinna Museum, que relembra a história marítima e militar do país, além de visita ao submarino Vesikko, navio da década de 30, hoje, devidamente restaurado. Vale a pena visita ao Sibelius Monument, homenagem ao compositor finlandês Jean Sibelius e situado em parque homônimo. Foi ele dos mais populares músicos do final do século 19 e início do século 20, contribuindo em muito para a formação da identidade nacional finlandesa.

No entanto, em Helsinki, o mais tocante foi desvendar a biblioteca pública, Helsinki Central Library, idealizada pelo então Ministro da Cultura da Finlândia, Claes Andersson, em 1988. Em 2015, o Governo iniciou a construção, de modo que a Oodi tornou-se o Projeto emblemático do 100o aniversário do país, com estrutura arquitetônica magnífica com soluções de vanguarda, como dois imensos arcos de aço sobre os quais se assenta todo o edifício, mediante o uso do abeto, madeira leve, fácil de trabalhar e muito empregada em telhados, painéis, molduras e móveis, devido à estabilidade dimensional e às propriedades isolantes.

Os cidadãos foram consultados sistematicamente para expressar seus anseios. Daí, feitos “heroicos” tornam a Oodi única. Por exemplo, não cede somente material informacional e tecnológico! Martelos, escadas, varas de pescar e outros itens podem ser emprestados em domicílio ao grande público!  O sentimento de pertença tem início a partir da escolha do nome: certame público e aberto a qualquer cidadão colheu cerca de 1.600 sugestões! Oodi = Ode = poema lírico foi o ganhador! Ali está o prolongamento da casa dos cidadãos. Espaço para crianças. Aconchego para adolescentes, jovens, adultos, velhos e anciões. Relaxamento tem seu espaço. Idem para meditação. Os namorados são acolhidos. Quaisquer crenças, etnias, cores, vestimentas... Há de tudo para todos num ambiente de respeito incrível ao momento e ao espaço do outro. É preciso, quiçá, mais informações (TARGINO, fev. 2024).

Lapônia / Rovaniemi

Da capital, partimos em voo aéreo para a Lapônia finlandesa, especificamente, para sua capital Rovaniemi, que favoreceu contato mais aprofundado com o povo e a cultura sâmi, em especial, no Arktikum, museu e centro de ciência inaugurado em 1992, com ênfase para a preservação da cultura local.

A esta altura, a busca em avistar a Aurora Boreal era tema recorrente a cada instante. Um adolescente do grupo de viageiros, com sua sabedoria de informática, montou várias auroras boreais nos incluindo em posições para lá de cômicas. O desejo era intenso e nada de Aurora Boreal, que é nada mais nada menos do que um fenômeno óptico e com intenso brilho observado nos céus noturnos das regiões polares, devido ao impacto de partículas de vento solar com a alta atmosfera da Terra, sobretudo, no Hemisfério Norte.

Em Rovaniemi, além de visita a uma fazenda de criação de adoráveis renas, por fim, a visita tão sonhada à casa de Papai Noel, na aldeia dos sonhos, Joulupukin Pajakylä. Por lá, nada parece real, nem mesmo o posto de correios, que permite ao turista enviar cartões postais para qualquer parte do mundo, mediante a aquisição de selos. O encontro com Papai Noel é bem rápido e bastante caro, com enormes filas que se postam do lado de fora e a comercialização que grassa por toda parte. Puro comércio. As fotos são entregues em papel para evitar a propagação digital e reduzir os lucros... Finjo não perceber e sonho os sonhos adormecidos e retidos na memória afetiva, quem sabe, desde a mais tenra infância.

Foto 2 – Conversinha vapt-vupt com Papai Noel

Fonte: Arquivo pessoal, 2024.

Agora, é experienciar a delícia de pilotar o snowmobile ou moto de neve, veículo que mescla motocicleta e carro, com o fim de enfrentar caminhos que parecem brigar com a majestosa neve. Acalentamos o medo, até porque parece e é bastante seguro: tração traseira por esteira com cravas para maior estabilidade e pás na parte dianteira, além da supervisão dos empregados do local. E lá vamos nós... Logo mais, teremos a Ceia de Natal!

Foto 3 – Aventura no snowmobile

Fonte: Arquivo pessoal, 2024.

É o momento de desfrutar mais uma aventura de inverno. Do Porto de Kemi, seguimos para embarque rumo ao Oceano Ártico (embora alguns oceanógrafos o chamem de Mar Ártico Mediterrâneo ou Mar Ártico, a Organização Hidrográfica Internacional reconhece o Ártico como oceano) num inesquecível navio quebra-gelo, que segue bravamente abrindo caminhos, o que significa romper o gelo que cobre o Norte do Golfo de Bótnia, o braço mais setentrional do Mar Báltico, entre a costa ocidental da Finlândia e a costa oriental da Suécia. A experiência inclui parada e descida para o mar aberto, onde vestimos pesados trajes térmicos de borracha próprios para a ocasião. Flutuar entre os blocos de gelo na imensidão do Ártico exige de quem não sabe sequer boiar, mais do que coragem – um pouco de loucura e muito de insanidade! A sensação de boiar em águas congeladas é inarrável! E há mais, visita a uma exposição de esculturas no gelo...

Foto 4 – Experiência única: flutuar entre os blocos de gelo na imensidão do Ártico

Fonte: Arquivo pessoal, 2024.

Em Haparanda, cidade da província de Bótnia Setentrional, ao Norte da Suécia, em especial, à margem direita do Rio Torne, e vinculada historicamente e geograficamente à cidade finlandesa de Tornio, localizada numa ilha mais próxima da Suécia do que da Finlândia, está a aldeia Kakslauttanen. Eis um hotel único, que permite vislumbrar de dentro do próprio apartamento, em forma de iglu de vidro, uma profusão de estrelas no céu, a paisagem embranquecida e o longínquo céu do Ártico. E mais, cães da raça Husky, treinados e bem cuidados, nos conduzirão não à torta e à direita, mas de forma segura, pelos caminhos afora. Mais adiante, passeio num teleférico para que cada um de nós possa reter na memória para sempre a visão espantosa da imensidão para lá de branca.

Partida em direção a Kirkenes, Lapônia norueguesa, conhecida como a capital do Mar de Barents, homenagem ao navegador holandês Willem Barentsz. É um mar marginal do Oceano Ártico, ao largo das costas setentrionais da Noruega e da Rússia e, portanto, entre águas norueguesas e russas. E é em Kirkenes que, literalmente, em meio a tombos nada fatais, mas muito engraçados, que todos nós vimos a fascinante Aurora Boreal! Corrida alucinante de todos! Inesquecível!

Foto 5 – A Aurora Boreal dá o ar de sua graça

Fonte: Arquivo pessoal, 2024.

Foi também em Kirkenes que, em meio à vista e à visita ao Hotel de Gelo, construção completamente edificada em gelo, incluindo camas e adornos, que, durante um safári, participamos da pesca do imenso caranguejo-real, comum no Mar de Barents, de sua “morte” e de sua incrível degustação! Esse crustáceo pode chegar a 2 m e pesar até 15 kg. Para se ter ideia de sua beleza e ineditismo, no ano de 2008, o safári de “Sua Alteza Real” ganhou o título de “Melhor Experiência Turística do Mundo”, segundo a Revista National Geographic.   

Finalizando

De Kirkenes diretamente para a majestosa capital da Noruega, Oslo. Afinal, lá vivemos agradável e inolvidável Réveillon. De Oslo para o Brasil. Por tudo isso, hoje, sem titubear, se alguém me perguntar qual a viagem mais encantadora, respondo “na lata”: a viagem à Finlândia! Além da companhia da neta querida, um Natal e uma Noite de Ano memoráveis por seu ineditismo e pela companhia de um grupo para lá de companheiros. Cães, caranguejos, hotel feito completamente de gelo, boiar em águas gélidas do Oceano Ártico e jogar conversa fora com o Papai Noel! Quantas experiências!  Viagem linda e curtida hora a hora, até porque se guardo comigo cada lembrança, nutro a certeza de que não quero nunca mais enfrentar frio arrepiante, casacos pesadíssimos e me sentir como o Gato de Botas! Mas vale a pena, sim senhor! Aliás, para ser politicamente correta (eita, coisa chata), sim senhora!

Foto 6 – O ritual da morte do caranguejo-real


Fonte: Arquivo pessoal, 2024.

Referências

FILKS, Ilze. Finlândia é o país mais feliz do mundo pelo 7o ano consecutivo. CNN Brasil, 20 mar. 2024. Disponível em: https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/finlandia-e-o-pais-mais-feliz-do-mundo-pelo-7o-ano-consecutivo-diz-relatorio-da-onu. Acesso em: 29 set. 2024.

TARGINO, M. das G. Caixas de papelão e amor. Revista INFOhome, Londrina. Abr. 2024. Disponível em: https://www.ofaj.com.br/colunas_conteudo.php?cod=1527. Acesso em: 28 set. 2024.

TARGINO, M. das G. Helsinki Central Library: a Biblioteca que sonhei! Revista INFOhome, Londrina. Fev. 2024. Disponível em: https://www.ofaj.com.br/colunistas.php?cod=29. Acesso em: 28 set. 2024.


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MARIA DAS GRAÇAS TARGINO

Doutora em Ciência da Informação e jornalista, finalizou seu pós-doutorado junto ao Instituto Interuniversitario de Iberoamérica da Universidad de Salamanca e Máster Internacional en Comunicación y Educación da Universidad Autónoma de Barcelona, ambos na Espanha. Sua experiência acadêmica inclui cursos em outros países, como Inglaterra, Cuba, México, França e Estados Unidos. Autora de livros e capítulos, artigos científicos em ciência da informação e comunicação, enveredou pela literatura como cronista, com os títulos: “Palavra de honra: palavra de graça”; “Ideias em retalhos: sem rodeios nem atalhos”; “Amar, viver, escrever”; “Embarques e desembarques”; além de inúmeras participações em coletâneas literárias. Por longos anos, manteve vinculação com a Universidade Federal do Piauí e Universidade Federal da Paraíba. Membro da Academia de Literatura de Teresina e da União Brasileira de Escritores – Seção Piauí, mantém coluna semanal em jornal de Teresina; coluna bimestral no INFOHOME; e contribuições sistemáticas junto a páginas eletrônicas. Dentre as láureas: Prêmio Nacional Luiz Beltrão de Comunicação, Intercom; Prêmio do Programa Informação para Todos, Unesco; Título de Cidadã Teresinense, Câmara Municipal de Teresina; e Prêmio “Mérito Jornalístico”, Câmara Municipal de Teresina; Homenageada do SALIPI 2024. E-mail: gracatargino@hotmail.com