INFORMAÇÃO E SAÚDE


IMPACTOS DA DISCIPLINA TERMINOLOGIAS EM SAÚDE NA FORMAÇÃO EM NÍVEL DE GRADUAÇÃO

Maria Cristiane Barbosa Galvão

Camila Cristina Conceição Teixeira de Souza

Carlos Manuel de Jesus Puentes Valdes

Evillyn Milena Da Gama

Isabelly Cristina Rodrigues Gonçalves

Pedro Henrique da Silveira Neves

Wesley Pereira Ricardo

Introdução

O conhecimento das terminologias em saúde é uma das competências necessárias para a atuação profissional no campo da Saúde, na prática clínica direta, para o registro da assistência prestada no prontuário do paciente ou nos sistemas institucionais de informação em saúde, assim como é requerida em situações que demandam a produção, a organização, a disseminação, a recuperação ou o intercâmbio de informações em saúde (Galvão et al. 2022 e Galvão et al. 2023).

Partindo dessa premissa, desde 2002, o Departamento de Medicina Social da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, oferta, anualmente, a disciplina de graduação Terminologias em Saúde, com 60 horas de duração, que tem por objetivo capacitar o aluno para compreensão das linguagens de especialidade em saúde e sua relação com a organização, representação e recuperação da informação em saúde. Nas aulas iniciais da disciplina, são apresentados conceitos elementares sobre a Ciência da Terminologia, bem como as diferenças entre a linguagem de especialidade e a linguagem geral. Uma vez que os alunos tenham compreensão do que venha a ser uma terminologia em saúde, são abordadas algumas terminologias em saúde de relevância nacional e internacional, como é o caso da Classificação Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde (CID), da Tabela de Procedimentos do Sistema Único de Saúde do Brasil, da Systematized Nomenclature of Medicine Clinical Terms (SNOMED-CT), da Classificação Internacional de Atenção Primária (CIAP), da Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde (CIF), da Classificação Internacional da Prática de Enfermagem (CIPE) e dos Descritores em Ciências da Saúde (DECS). A disciplina se desenvolve por meio de aulas teóricas, mas, principalmente, por meio de exercícios de utilização de terminologias em saúde em forma de simulação de casos clínicos ou situações clínicas ou acadêmicas reais. Geralmente, as aulas desta disciplina ocorrem em laboratórios de informática da Universidade ou em salas devidamente equipadas com os recursos tecnológicos necessários.

O presente texto tem por objetivo fazer um registro de falas e reflexões de discentes da Universidade de São Paulo que participaram da disciplina no segundo semestre de 2023, a fim de compreender o impacto de sua oferta no conhecimento discente. Logo, a seguir serão apresentadas tais falas e, ao final do texto, algumas considerações adicionais.

Camila Cristina Conceição Teixeira de Souza, graduanda em Biblioteconomia e Ciência da Informação

O que me levou a cursar a disciplina de Terminologias em Saúde foi a curiosidade de saber como trabalhar com a área da Saúde na Biblioteconomia e Ciência da Informação. No meu curso, muito se discute sobre termos e classificações. Com isso quando eu tive a disponibilidade de cursar a disciplina convidei mais dois amigos para fazê-la comigo. Na primeira aula que tivemos, eu tive a certeza que eu, realmente, deveria cursar a disciplina pois percebi que conseguiria habilidades e conhecimentos que me serão úteis no futuro. No decorrer da disciplina, vimos a importância das terminologias em saúde pois elas proporcionam uma linguagem precisa entre os profissionais da saúde e a produção da informação. É importante ressaltar também que os usos das terminologias são uma questão de segurança para a população já que garantem a padronização na comunicação entre os profissionais e os pacientes para que erros sejam evitados e para que haja uma interpretação clara, facilitando a troca de informações relevantes para o diagnóstico, tratamento e monitoramento das condições de saúde. Por exemplo, a SNOMED CT padroniza tudo em relação à saúde o que garante um cuidado detalhado para com o registro de informações sobre o paciente. Além disso, na disciplina também vimos outras linguagens de especialidade como a Classificação Internacional de Doenças, Tabela de Procedimentos do SUS e outras que são necessárias para compreensão dos sistemas de informação relacionados à saúde e doenças. Esta disciplina terá uma grande relevância na minha carreira pois eu poderei juntar os conhecimentos da minha área com o campo da Saúde. Com isso, a porta que a disciplina abriu, me proporcionou querer aprender mais sobre este campo de atuação. Ademais, a disciplina teve alunos de três cursos: Informática Biomédica, Biblioteconomia e Ciência da Informação e Farmácia. Este fato enriqueceu ainda mais as aulas já que houve compartilhamento de conhecimento sobre os cursos e como a disciplina terá um impacto no campo de atuação de cada área. Houve inúmeras discussões que ajudaram trocas de ideias que enriqueceram o aprendizado de cada aluno. A metodologia utilizada nas aulas estimula a participação de todos, incentivando o conhecimento de aspectos da informação em saúde. O local em que as aulas foram ofertadas foi adequado e confortável para a disciplina. Por tanto, a disciplina me impactou positivamente enriquecendo minhas habilidades.

Carlos Manuel de Jesus Puentes Valdes, graduando em Informática Biomédica

Decidi cursar a disciplina pois quando o Sistema Jupiter está liberado para realizar a matrícula, tento encaixar todas as disciplinas que estão disponíveis em minha grade horária. Apesar de não fazer parte da minha ênfase e não ter escolhido a disciplina por motivos mais profundos, segui cursando pois fiquei interessado em terminologias - algo que nem eu esperava. Durante essa disciplina aprendi o que de fato são termos e quanto estudo e trabalho estão por trás deles. O processo de padronização de uma linguagem técnica é um enorme desafio considerando que as mesmas coisas devem ser compreendidas por profissionais falantes de diferentes idiomas cujas traduções literais podem levar a confusões graves. Esse desafio é constante e existem poucos profissionais especialistas em terminologias. Além disso, a integração de novos termos e significados nas rotinas de trabalho requer esforços tanto na educação e reeducação desses profissionais quanto na atualização de suas ferramentas tecnológicas. A exemplo disso, os sistemas de informação integrados ao nosso Sistema de Saúde continuam utilizando a CID-10 enquanto a CID-11 já existe há pelo menos 4 anos, sem contar que casos clínicos escritos de forma livre (ou seja, que possuem informação não estruturada) dificultam especificar a doença podendo causar confusões perigosas. Não apenas vislumbro utilizar, como utilizei os conteúdos desta disciplina durante outra disciplina para compreender que Artrite Reumatoide Juvenil é um grupo de doenças e não uma doença só, e cada uma de suas especificidades foi facilmente encontrada na CID-11. Além disso, saber que uma área de estudo possui termos e conceitos é um grande facilitador para sua compreensão. Como informata biomédico e programador, vejo que estruturar a informação não estruturada a partir das terminologias e ontologias em saúde pode poupar muito dinheiro de uma instituição e, ao mesmo tempo, gerar recursos financeiros para os informatas biomédicos a partir do processo de padronização. Fiquei muito feliz mesmo de ter feito essa matéria, não costumo socializar com alunos de nenhuma disciplina e acabo não tendo nenhum amigo no curso (eu tenho amigos fora do curso). Nessa disciplina eu fui obrigado a conversar com os colegas ao meu redor. Adorei essa galera esquisita da Biblioteconomia e adorei conhecer a docente melhor, pois nos primeiros anos do curso de Informática Biomédica, eu tinha uma imagem intimidadora dela. Agora, eu sei que ela é do bem.

Evillyn Milena Da Gama, graduanda em Informática Biomédica

Decidi cursar a disciplina pois fiquei interessada na possível aplicação dos conhecimentos obtidos para minha área profissional. Atuo há mais de dois anos como desenvolvedora de softwares para a área da Saúde e creio que a aquisição de conhecimentos em terminologias na área pode me beneficiar. Também escolhi a disciplina, pois faz parte das disciplinas eletivas sugeridas para a subárea e-Saúde do curso de Informática Biomédica. Durante as aulas, pude aprender a finalidade do uso de terminologias na área da Saúde e em outras áreas do conhecimento. Adquiri conhecimentos sobre como usar navegadores de terminologia, como SNOMED CT e CID-11, e como aplicar as terminologias apresentadas. Acredito que poderei aplicar os conhecimentos que obtive para o desenvolvimento e aprimoramento de softwares médicos na empresa onde trabalho atualmente e em outras empresas que eu venha a atuar no futuro. Gostei de cursar a disciplina com outros discentes de diferentes cursos e unidades. Essa dinâmica ajudou a enriquecer as aulas e aprender sobre novas áreas. O único ponto é que acho que o horário em que a disciplina foi oferecida prejudicou um pouco o aproveitamento das aulas. Talvez se as quatro horas de aula fossem divididas ao longo da semana, poderíamos tirar maior proveito de seu conteúdo.

Isabelly Cristina Rodrigues Gonçalves, graduanda em Biblioteconomia e Ciência da Informação

As minhas razões para realizar as aulas de Terminologia em Saúde foi por conta de que gosto muito da esquematização de tesauros, indexação e classificação de documentos, e gostaria de saber uma nova perspectiva que seria no âmbito da saúde. Os conteúdos vistos durante a disciplina foram todos novidades para mim e tive leves dificuldades em pesquisar termos específicos nas classificações por não compreender muito bem sobre anatomia humana, mas tirando essa parte, foi ótimo entender o processo de procura desses elementos dentro de suas respectivas classificações. Entre as aplicações que podem ser feitas dos conhecimentos obtidos na vida profissional está a importância da padronização e uniformização de termos. Imagino também os conhecimentos obtidos possam ser empregados para a vida pessoal, pois agora saberei as informações precisas sempre que eu receber um diagnóstico médico. Bom, a composição de alunos na disciplina foi bem diversa, pois tinha matriculados alunos do Biblioteconomia, Informática Biomédica e Farmácia na mesma sala. Isso fez com que a discussão ficasse bem variada e que entrasse em tópicos específicos das três áreas, o que fez a dinâmica de sala ficar bem interdisciplinar. As aulas foram ministradas em uma sala dentro do Hospital das Clínicas, o que foi novidade para mim, pois nunca havia entrado neste Hospital antes. Contudo, foi o ideal para o desenrolar das aulas e a aproximação das pessoas. A metodologia foi baseada na realização de atividades práticas em sala de aula. Imagino que por conta desse fato, eu entendi totalmente o conteúdo de cada aula, e a professora teve uma linguagem leve e fácil de entender sobre cada tópico das aulas, o que para mim foi perfeito por não ser ter muito entendimento de jargões da saúde. O horário para mim foi o mais preocupante, pois ficar até às dezenove horas na sala, faria com que eu não conseguisse jantar no restaurante universitário, principalmente, por ter outras aulas mais a noite, mas a professora adequou o horário das aulas para nossas necessidades.

Wesley Pereira Ricardo, graduando em Biblioteconomia e Ciência da Informação

Inicialmente, me matriculei na disciplina Terminologias em Saúde por influência de amigas que também se matricularam nela. Além disso, considerei a relevância dessa disciplina para minha formação e atuação como futuro profissional da informação, especialmente, na área da Saúde, que possui diversas linguagens especializadas que denotam um trabalho altamente especializado. Além dos motivos mencionados, outro fator relevante que me levou a continuar na disciplina foi a visão do amplo campo de atuação que se torna possível na área da Saúde, levando em consideração a aplicação prática de conceitos que respaldam a organização, representação e recuperação precisa da informação neste campo. Acredito que a possibilidade de vislumbrar e entender a atuação em uma área como a Saúde muito se deve aos conteúdos apresentados e assimilados no ao longo da disciplina. Certamente, esses conteúdos, deram os insights necessários para mesclar a teoria e prática, especialmente, no que se relaciona a terminologia em si quando utilizamos a SNOMED CT visualizando e discutindo seu uso em potencial no auxílio à construção de sistemas informatizados no domínio da saúde. Além do já exposto, é importante destacar que o programa da disciplina abrange também uma gama de conteúdos sobre as diferentes classificações usadas no campo da Saúde, bem como seus objetivos, tanto no Brasil como no resto do mundo. Essa abrangência permite que tenhamos o conhecimento de como tais classificações são empregadas na representação de dados e informações em sistemas de informação em saúde. Também, algo interessante que permeou a disciplina desde seu início foi a interação entre 3 diferentes cursos de graduação, sendo eles: Informática Biomédica, Farmácia e Biblioteconomia e Ciência da Informação. Desta interação se destaca a colaboração que cada aluno, com diferentes perspectivas e apontamentos, pode trazer à disciplina de modo que cada um visualizasse a aplicação em seu campo de atuação. Adicionalmente, acredito ser adequado as aulas terem ocorrido no Departamento de Medicina Social da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, no interior dos Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto. Quanto à metodologia de ensino empregada, penso que, para uma disciplina que visa “capacitar o aluno para compreensão das linguagens de especialidade em saúde e sua relação com a organização, representação e recuperação da informação em saúde” a didática e condução da disciplina pela docente com os diferentes alunos, cumpre seus objetivos.

Pedro Henrique da Silveira Neves, graduando em Farmácia

Estou finalizando o 8º semestre do Curso de Graduação em Farmácia, após os quatro primeiros terem sido realizados à distância. Mesmo com uma previsão de término do Curso para janeiro de 2025, o amor pelo Curso e algumas disciplinas a serem cursadas me farão ficar mais um ano para concluí-lo. A disciplina Terminologias em Saúde, lecionada no Departamento de Medicinal Social pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, cruzou meu caminho na aba de disciplinas optativas disponíveis no campus da USP de Ribeirão Preto quando planejava meu próximo semestre no mês de junho de 2023. Minha primeira impressão estava relacionada com a expectativa de expansão de vocabulário técnico-acadêmico no contexto da Saúde Pública e na produção científica. Eu acreditava que o léxico bem aplicado no cuidado clínico e na transmissão de conhecimento são fundamentais para o bom exercício profissional. Não estava enganado. O semestre letivo evidenciou a necessidade de, sim, conhecer o vocabulário adequado para o ofício e o estudo. Porém, só é possível utilizar as terminologias existentes na literatura se elas estiverem bem categorizadas, definidas e, se possível, com uma aplicação exemplificada. Um exemplo de terminologia é a SNOMED CT, responsável por categorizar sistematicamente termos, suas super e subclassificações, relações diretas e, o mais importante, apresentar suas definições. O SNOMED CT Browser, por sua vez, é a plataforma de acesso ao compêndio supracitado e ele fornece códigos específicos para termos que abrangem todas as áreas das Ciências da Saúde. Processos, substâncias, categorias, desfechos, unidades de medida, doenças, sintomas, produtos, serviços etc. Atualmente, considero a plataforma uma das mais completas existentes. Existe uma coerência lógica muito bem estabelecida na sistematização desse agregador de terminologias que é o SNOMED CT. As estruturas apresentam uma indentação própria, associada a um “termo-mãe” e, além de terem um código próprio para cada termo, as diversas combinações possíveis nas quais o termo pode estar relacionado são disponibilizadas de forma fácil e acessível. A Classificação Internacional de Doenças (CID-11), por sua vez, o mais tradicional compêndio de classificação de termos, se limita à classificação de condições humanas que um indivíduo pode apresentar. Porém, em minha opinião, mesmo sendo o mais utilizado, a CID traz consigo contradições intrínsecas que nos induzem ao questionamento da própria definição do que é uma doença. Termos como “gravidez”, “menopausa” e “incongruência de gênero” apresentam os códigos XT0S, GA30 e HA60. O último termo, diga-se de passagem, caracteriza a transgeneridade e a transexualidade. Todos conceitos que sabidamente não são considerados como doença - nem de forma social ou na prática clínica. A necessidade de um categorizador de condições humanas é indispensável para o encaminhamento de pacientes, tomada de decisões clínicas e contabilização estatística de incidência em saúde. Porém, quando colocamos uma condição qualquer que não reconhecemos doença como no caso dos exemplos supracitados, colocamos no mesmo patamar condições intrinsicamente diferentes, como, por exemplo, câncer (2D4Z) e transgeneridade (HA60), respectivamente. Em um primeiro momento pode não haver nenhuma implicação na utilização prática, mas o termo “doença” traz consigo uma estigmatização social. Atribuir um código CID para um paciente não é apenas uma organização gerencial de sistemas, mas, muitas vezes, de uma atribuição de rótulo que acompanhará o indivíduo durante sua vida. Por isso, acredito que a CID seja uma ferramenta importante, mas conceitualmente insuficiente quando se trata condições humanas. Em minha visão, não é muito difícil mudar este cenário, pois alterando-se a abordagem das condições como “doença” para “condições clínicas” juntamente a uma nova divisão interna que diferencie características biopsicossociais de um lado e enfermidades de outro, a facilidade de utilização seria preservada ao mesmo tempo que o rótulo atribuído ao indivíduo teria um impacto estigmatizante menor. Ter um diagnóstico de doença atribuído a você, faz diferença. Acredito que a disciplina tenha sido aplicada da forma como se deveria. É muito recompensador termos contato com um docente que respeita as discordâncias sobre sua própria área. A exposição sempre foi feita de maneira clara, objetiva e dialética, sempre questionado nossa visão sobre o objeto de estudo antes de um aprofundamento de fato. É belo ver um docente defendendo a própria área, acatando críticas e se respeitando. Saio dessa disciplina mais completo, ciente de que áreas de conhecimento têm contradições e que há espaço no debate para a crítica válida e construtiva. Ciência de qualidade se faz assim.

Considerações finais

Os relatos apresentados evidenciam que a disciplina Terminologias em Saúde está aberta para receber alunos de vários cursos da graduação, pois é da natureza do campo da Saúde a interdisciplinaridade, bem como a atuação conjunta de profissionais de diferentes áreas para a solução de problemas complexos. Infelizmente, um dos desafios assinalados é conseguir ofertar a disciplina em um horário comum e adequado para atender as necessidades de um número maior de alunos.

Em relação a abordagem adotada na disciplina, o emprego de exercícios e atividades práticas em todas as aulas parece ser benéfico para o processo de ensino-aprendizagem, visto que é um aspecto da disciplina bastante lembrado pelos alunos. Adicionalmente, como a disciplina é ofertada no espaço da unidade de saúde, observa-se que os conteúdos apreendidos ao longo do semestre são aplicados de forma imediata pelos alunos. Outro fator que chama a atenção é que os alunos conseguem aplicar os conteúdos abordados na disciplina para além da dimensão profissional. Muitos refletem sobre as assistências de saúde recebidas ao longo da vida, seja pelo próprio aluno, seja por seus familiares e amigos. Logo, o conteúdo da disciplina faz emergir muitas emoções, sentimentos, aspectos culturais e sociais da vida de cada um deles, bem chama a atenção a criticidade que possuem ao terem conhecimento de que as terminologias e classificações em saúde são constructos humanos, passíveis de erros e vieses de várias ordens.

Finalmente, parece ser relevante explicar que, epistemologicamente, a disciplina Terminologias em Saúde segue os princípios da Teoria Comunicativa da Terminologia (Cabré, 2003), na qual a linguagem de especialidade é estudada em múltiplos contextos de comunicação, ultrapassando a compreensão dos termos isolados. Esta abordagem parece viabilizar o diálogo interprofissional entre os alunos, além de fomentar o treinamento para a comunicação em contextos especializados (Farinha, 2023). Logo, a convivência durante a disciplina parece se constituir em um ganho para os alunos pois são colocados diante da possibilidade de interagir e estabelecer contatos e vínculos com colegas de outros cursos e áreas do conhecimento.

Referências

Galvão, M. C. B.; Sígolo, B. de O. O.; Gualdani, F. A.; Araújo, F. de A. N. G. de. Approach to develop health information subjects in undergraduate courses. Research, Society and Development, [S. l.], v. 11, n. 2, p. e49411226194, 2022. DOI: 10.33448/rsd-v11i2.26194. Disponível em: https://rsdjournal.org/index.php/rsd/article/view/26194. Acesso em: 10 dec. 2023.

Galvão, Maria Cristiane Barbosa (org.) et al. Terminologias clínicas, classificações, ontologias e vocabulários: introdução. 2.ed. Goiânia: Cegraf UFG, 2023. E-book (71p.). ISBN 978-85-495-0675-7. Disponível em: http://repositorio.bc.ufg.br/handle/ri/22428. Acesso em: 10 dez. 2023.

Cabré, M. Teresa. Theories of terminology: their description, prescription and explanation. Terminology, v. 9, n. 2, 2003, p. 163-199. Disponível em: https://doi.org/10.1075/term.9.2.03cab. Acesso em: 10 dez. 2023.

Farinha, Angélica Lucion et al. Educação interprofissional nas práticas de integração ensino-serviço-comunidade: perspectivas de docentes da área de saúde. Escola Anna Nery, v. 27, 2023, p. e20220212. Disponível em: https://doi.org/10.1590/2177-9465-EAN-2022-0212pt. Acesso em: 10 dez. 2023.

Como citar este texto

Galvao, M.C.B. et al. Impactos da disciplina Terminologias em Saúde na formação em nível de graduação. In: Almeida Junior, O.F. Infohome [Internet]. Marília: OFAJ, 2023. Disponível em: http://www.ofaj.com.br/colunas_conteudo.php?cod=1509 


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PESQUISAS SOBRE INFORMAÇÃO EM SAÚDE DIANTE DE VIESES EDITORIAIS
Julho/2023



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MARIA CRISTIANE BARBOSA GALVÃO

Professora na Universidade de São Paulo, Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto. Sua experiência inclui estudos na Université de Montréal (Canadá), atuação na Universidad de Malaga (Espanha) e McGill University (Canadá). Doutora em Ciência da Informação pela Universidade de Brasília, mestre em Ciência da Comunicação e bacharel em Biblioteconomia e Documentação pela Universidade de São Paulo.