MAS, NÃO TEM COMO CONTESTAR O AUTOR
Thamiris Iara Sousa Silva
Certo dia eu estava na casa do meu irmão, ele estava lendo um livro e eu estava escrevendo a dissertação; em um dado momento ele saiu do quarto entusiasmado com a informação que acabava de apropriar-se, e tivemos o seguinte diálogo:
Meu irmão: Thamiris, olha que interessante o que o autor deste livro diz: o nosso cérebro não guarda as memórias, ele guarda palavras-chave que remetem às lembranças que temos e a gente acha que é uma memória.
Eu: Discordo. Como é que ele recupera algo que ele não guardou?
Eu bem bibliotecária já vi um erro nesse sistema de recuperação da informação (risos).
Meu irmão: É o que o autor diz.
Eu: Tá, o cérebro pode não lembrar com a riqueza de detalhes que nós pensamos, mas ele tem critérios de organização que nós não compreendemos, e por isso é tão interessante.
Meu irmão: Mas eu não posso contestar o autor.
Nosso diálogo não acabou aí, mas seguirei no texto corrido com as reflexões que se geraram a partir da nossa conversa.
A fala do meu irmão está no nosso subconsciente: como eu vou questionar uma pessoa que escreveu um livro? Que tem o título de doutor? Que estudou em renomadas universidades? Pois saiba que como leitor, você não só tem o direito como o dever de exercer sua autonomia informacional, e refletir se concorda ou não com o que está sendo comunicado.
Se eu discordar do autor invalida o argumento dele? Não. Me faz estar certa? Também não. São ideias independentes, mas eu posso, e diria devo, exercer minha autonomia informacional, pois nenhuma fonte é incontestável, e assumir uma postura investigativa diante das informações que acessamos é primordial para que não sejamos manipulados.
No fim, é de competência em informação e midiática que estou falando, e por meio deste exemplo pessoal reforço que é imprescindível para nossa atuação cidadã o ensino, a aprendizagem e o exercício desta competência.
Thamiris Iara Sousa Silva – Doutoranda no PPGCI – UNESP/Marília – thamiris.iara@unesp.br