PRÁTICA PROFISSIONAL E ÉTICA


  • A prática profissional e a ética voltadas para a área da Ciência da Informação.

PRÁTICA PROFISSIONAL E ÉTICA: OS BIBLIOTECÁRIOS BRASILEIROS REGISTRADOS E SUA IRRELEVÂNCIA SOCIAL, CULTURAL, ECONÔMICA, POLÍTICA E QUANTITATIVA NOS ÚLTIMOS ANOS

Quem se graduou em Biblioteconomia nos anos da década de 1970 vivia em um país com características muito diferentes das que ele tem neste ano de 2014. Afinal, já se vão perto de 40 anos! Olhando sob uma escala histórica, esse tempo é quase nada. Porém, se considerarmos os eventos econômicos e políticos; os fenômenos sociais e culturais; dados demográficos e estatísticas escolares; a assimilação das tecnologias de comunicação e informação, houve no país uma revolução muito grande, estrondosa até! Entretanto, isso não encontra plena correspondência na categoria profissional de bibliotecário.

 

Para colaborar com nossa rápida reflexão, alguns números ajudariam a perceber que onde tudo mudou, e mudou muito, a presença do profissional bibliotecário segue inexpressiva. Essa inexpressividade talvez se deva à passividade política pela qual o bibliotecário registrado não resolve as questões que o impedem de ter mais e melhor participação nas tomadas de decisões que afetam de imediato sua presença profissional e a expansão de seu lugar na sociedade.    

 

Para não cansar o leitor, tome-se apenas um dado: o total da população brasileira em 2010. Éramos 190.755.799. Dados apurados pelo CFB apontavam que em 2011 havia no país 16.332 Bibliotecários registrados nos CRBs. De acordo com o que supõe o CFB e aqueles que só computam como bibliotecários os que estão registrados nos respectivos Conselhos Regionais de Biblioteconomia, chega-se a um número pelo qual se enxerga em 2011 a existência de um bibliotecário registrado para cada grupo de 11.680 habitantes. É claro que essa é uma referência para análise quantitativa, pois, de fato, há uma distribuição completamente desigual, com poucos lugares onde há pequenas concentrações de bibliotecários e muitíssimos lugares onde a própria sociedade ignora o que sejam bibliotecários registrados e esse é o forte efeito qualitativo desse número. Além disso, como os bibliotecários registrados são majoritariamente executores de tarefas técnicas, ou ocupadíssimos gestores de unidades de informação, seja lá o que isso representa, eles não estão suficientemente envolvidos com as questões referentes ao exercício das atividades de política profissional. Assim, associações e sindicatos se encontram em situação de semiparalisia e em que pese anos de esforços, chegamos a 2014 sem que se conseguisse implantar no país um Sindicato nacional ou uma federação sindical de bibliotecários.

 

A Federação de associações de bibliotecários existente desde 1959, a quem caberia desenvolver o protagonismo político necessário em prol dos bibliotecários se transformou em agência promotora de cursos de capacitação ligeira. Com isso, seu papel de vanguarda na defesa dos interesses legais dos bibliotecários brasileiros vem sendo indevidamente apropriado pelo Conselho Federal de Biblioteconomia. A presença desse último, desde sua criação em 1962 e entrada em funcionamento em 1965, por delegação da categoria de bibliotecários, representa formalmente a intromissão do Estado na autonomia política do profissional, isto é, se essa autonomia, de fato, interessasse ao bibliotecário deste país.

 

Diante de tudo isso, pode-se supor que a irrelevância da política para o bibliotecário traduz-se na institucionalização de estruturas que consolidam esse sentimento de submissão. Tais estruturas por sua irrelevância – conforme o quadro constitucional atual dado a partir de 1988 – reforçam também a irrelevância quantitativa do bibliotecário registrado na sociedade e mais que isso, contribui para que a população busque resposta para suas demandas nos bibliotecários de vizinhança.


   318 Leituras


Saiba Mais





Sem Próximos Ítens

Sem Ítens Anteriores



author image
FRANCISCO DAS CHAGAS DE SOUZA

Docente nos Cursos: de Graduação em Biblioteconomia; Arquivologia; Mestrado e Doutorado em Ciência da Informação da UFSC; Coordenador do Grupo de Pesquisa: Informação, Tecnologia e Sociedade e do NIPEEB