BOLSA AMARELA DE LYGIA BOJUNGA: DE NOVO RETIRADO DA ESCOLA
Sou hiper fã de Lygia Bojunga. Comprei, li e reli todas as suas obras. Quem não as conhece sugiro que faça a leitura com a mesma delicadeza com que ela escreve. Falo isso, pois os assuntos abordados por ela são tão complexos e profundos que, no passado, alguns pesquisadores chegaram a duvidar se algumas de suas obras deveriam ser consideradas literatura infantil.
Isso porque em geral ela aborda questões existenciais e angústias humanas, algo que nem sempre são fáceis de ler. Conheço adultos que fogem da literatura de cunho social. Porém, acreditar que o leitor infantojuvenil não compreende e não deveria ler Lygia Bojunga é desconfiar de sua capacidade em alcançar o que ela comunica.
Quem é Lygia Bojunga?
Lygia nasceu em Pelotas (RS), mas mora há muitos anos no Bairro de Santa Teresa no Rio de Janeiro. Foi a primeira autora latino-americana a vencer o Prêmio Hans Christian Andersen. Suas obras foram traduzidas em mais de 25 países. Desde 2006 seus livros passam a ser publicados pela Fundação Lygia Bojunga que, além de editora, é um espaço cultural.
Como uma fã disciplinada busco sempre me manter informada sobre ela. Lygia tem mais de 93 anos, mantém uma vida reservada, pois acredita que são as suas obras que devem ficar em evidência. Continua ativa e lúcida; recentemente, após a censura de sua obra A bolsa amarela no Distrito Federal, ela se manifestou dizendo:
“Não leram o livro até o fim. Tem que entender o que a Raquel está falando, mas para isso precisava ler o livro inteiro. Se lessem, veriam que desde o início tudo conversa sobre uma luta por direitos iguais.”
Dá vontade de não dizer mais nada, porém preciso contar que meu contato com Lygia foi muito rápido, mas encantador. E foi assim:
Quando tive uma livraria especializada em livros infantis em Londrina, consegui o número do seu telefone e liguei convidando para vir conversar com seus leitores.
Do lado de cá da linha fiz uma abordagem exageradamente emocionada, melhor dizendo fiz uma “tietagem desproporcional”. Isso fez o meu sócio (e irmão) balançar a cabeça considerando o meu comportamento “uma criancice”.
Oprimida comentei isso com a Lygia. Ela, do lado de lá da linha, disse: “isso não é ser criança, é ser saudável!”.
Eu não precisava ouvir mais nada...
Não consegui trazer a Lygia à Londrina, pois nesse período ela ficava poucos meses no Brasil, mas mesmo assim mantenho e vou manter meu encantamento e admiração por ela sempre potencializados.
Com uma enorme tristeza, volto ao comentário que fiz de leve, quase apagado, sem destaque ali em cima: “censura de sua obra A bolsa amarela no Distrito Federal”
Melhor não falar mais nada e me inspirar na canção Deus me proteja do cantor compositor paraibano Chico César:
“Deus me proteja de mim
E da maldade de gente boa
Da bondade da pessoa ruim
Deus me governe e guarde, ilumine e zele assim.”
Saúde e Vida longa para Lygia Bojunga!
Referências:
BOJUNGA, Lygia. A bolsa amarela. Rio de Janeiro: Objetiva, 2002. (Literatura em minha casa/FNDE).
MILLEN, Mànya. “Tudo conversa sobre uma luta por direitos iguais’, diz Lygia Bojunga sobre ‘A bolsa amarela’. Jornal O Globo, Rio de Janeiro, 06 jun.2026. Disponível em: https://oglobo.globo.com/cultura/noticia/2026/06/06/tudo-conversa-sobre-uma-luta-por-direitos-iguais-diz-lygia-bojunga-sobre-a-bolsa-amarela.ghtml