NOVA ERA DA CATALOGAÇÃO BIBLIOGRÁFICA: OS PRINCÍPIOS EM EVOLUÇÃO
1961 é considerado o ano bom da catalogação bibliográfica. Há dois motivos para a data ser simbólica. Primeiro, houve a International Conference on Cataloguing Principles (ICCP), organizada pela IFLA. Evento marcado pelos primeiros acordos internacionais efetivos sobre a catalogação. De especial, o evento incluiu aspectos relativos ao alcance, função e estrutura do catálogo; além das classes de entradas e uso de entradas múltiplas; a escolha de cabeçalho uniforme para autor pessoal, entidade corporativa e títulos de obra. A declaração básica dos Princípios não era muito diferente da declarada por Charles Ammi Cutter para a função do catálogo.
O segundo motivo é que o ano marca o início de uma longa história da colaboração e normalização bibliográfica internacional. A Conferência, também conhecida como “Princípios de Paris”, teve efeitos diretos sobre os códigos de catalogação, publicados nos anos subsequentes e que passaram a subscrever os princípios deliberados para a organização do catálogo bibliográfico.
Décadas depois da realização dos Princípios de Paris, os recursos colecionados pelas bibliotecas se diversificaram e os seus catálogos mudaram. Se os princípios embasaram os códigos de catalogação orientados aos catálogos de fichas; os documentos descritos nestes catálogos, adquiriram uma variedade de formatos e suportes. Os avanços tecnológicos afetaram os catálogos nos seus aspectos e organização. Também os usuários se habituaram as inovações, tornando-se mais exigentes.
Da necessidade de atualizar os princípios, a IFLA promoveu uma série de reuniões, em vários países, entre os anos de 2003 e 2007. Uma nova declaração dos Princípios Internacionais de Catalogação (ICP) foi publicada em 2009, considerando agora as entidades dos modelos FRBR e FRAD.
Posteriormente, uma nova ICP foi proposta e discutida, em 2015 e publicada em 2016. Incluiu entre os seus princípios, a acessibilidade do catálogo para todos os usuários. Acessibilidade, no entanto, é uma função da tecnologia e não de conteúdo dos dados do catálogo.
Também se ressaltou que os dados do catálogo sejam disponibilizados para acesso aberto. Igualmente relevante, a ideia expressa de "navegar" como ir além do catálogo, para outros catálogos e em contextos não bibliotecários. O controle de autoridade deveria ser estendido a todos os elementos que tenham valor reconhecido para recuperação. Isso se refere à inclusão dos elementos que servem como facetas limitantes em conjuntos recuperados.
Certamente, muito se poderia comentar sobre os princípios publicados e sua contribuição para os processos catalográficos. Entretanto, em um breve intervalo de tempo, nova proposta emerge para a edição da “Declaração de Princípios Internacionais de Catalogação” (ICP). Ação promovida pelo Grupo de Trabalho da ICP, vinculada à Seção de Catalogação da IFLA (ICP Working Group on behalf of the IFLA Cataloguing Section). A proposta foi submetida para revisão mundial em março de 2025.
Segundo o Grupo de Trabalho, a intenção é constituir uma versão mais leve e simplificada da edição publicada em 2016. Esta revisão pretende consolidar uma declaração baseada em princípios, e para a qual aplicaram-se as seguintes diretrizes:
• manter um número limitado de seções;
• concentrar nos princípios de catalogação (antiga seção 3, agora seção 2) e nos objetivos do catálogo (antiga seção 6, agora seção 3);
• considerar a catalogação bibliográfica; a de autoridade e o relacionamento entre entidades;
• alinhar a declaração de princípios ao conjunto de padrões bibliográficos da IFLA.
Até mesmo o uso da palavra “catalogação” foi questionado. O grupo de trabalho optou pela sua manutenção, por ser um termo conhecido e aplicável a uma variedade de contextos bibliográficos. Apesar da palavra “metadados” ser usada, na atualidade, para registros bibliográficos e de autoridade; e, ainda, a catalogação ser definida como a criação de metadados. Porém, entende-se que o termo “metadados” em si mesmo ou retirado do contexto da descrição de recursos é muito geral para ser usado como um padrão IFLA.
Assim, foi adicionada uma nova seção (seção 4: Uso consistente de padrões de catalogação (Consistent use of cataloguing standards)) que considera o fato de a catalogação não estar em um mundo tão estável quanto antes. A seção introduz uma distinção entre catalogação tradicional (baseada em registros bibliográficos e de autoridade) e catalogação entidade-relacionamento (baseada nos princípios dos dados vinculados). A seção busca indicar o máximo de pontos em comum entre os dois conceitos de catalogação, para que os princípios e objetivos apliquem-se a ambos os contextos.
O Grupo de Trabalho ressalta que se procedeu a poucas mudanças nos princípios e que estes recuperaram uma posição central no documento. Alteração significativa consistiu na remoção dos antigos princípios: Abertura (Openness) e Acessibilidade (Accessibility), introduzidos na edição de 2016. Isso não quer dizer que a atividade catalográfica não defenda os valores de acessibilidade e abertura; ao contrário, eles formam um ponto focal da catalogação, tanto que foram incluídos no Princípio 1, como componentes inerentes da “conveniência do usuário”.
Um aspecto destacado sobre a formulação dos princípios, foi a simplificação do texto para favorecer aos falantes não nativos do inglês ou para fins de consistência. Fora isso, considera-se que os princípios permanecem atualizados, da mesma forma que eram há mais de 50 anos. Este é o tipo de estabilidade que a nova edição pretende alcançar.
A seção 7: Fundamentos para as capacidades de pesquisa (Foundations for Search Capabilities) foi removida da nova proposta. Embora fosse uma seção histórica da Declaração, estava desatualizada tanto na sua linguagem, quanto em seu conteúdo. Ela também apresentava ambiguidade semântica sobre o uso do termo “ponto de acesso”, o que foi considerado confuso.
Outro ponto salientado foi a remoção do glossário. Atualmente, o MulDiCat serve de glossário comum para todos os padrões bibliográficos da IFLA. Ele é um dicionário multilíngue de termos e conceitos de catalogação e classificação, que reflete os acordos internacionais. Destina-se ao uso em traduções autorizadas de padrões de catalogação e documentos relacionados da IFLA. Da mesma forma, as referências (seção 9: bibliography) foram removidas para fins de simplificação documental.
Para promover o seu conhecimento, transcreve-se em tradução livre, a versão preliminar da nova declaração dos princípios catalográficos, estruturada conforme numeração a seguir:
1. Introdução
1.1 Propósito
1.2 Escopo
1.3 Relação com outros padrões da IFLA
2. Princípios
3. Objetivos e Propósito do Catálogo
4. Uso consistente dos padrões de catalogação
4.1 Modelo conceitual
4.2 Padrão de conteúdo
4.3 Identificadores
4.3.1 Propósito e princípios
4.3.2 Pontos de acesso
4.3.3 Construção e escolha de pontos de acesso autorizados
1. Introdução
1.1 Propósito
A Declaração dos Princípios original — conhecida como "Princípios de Paris" (Paris Principles) — foi aprovada pela Conferência Internacional sobre Princípios de Catalogação em 1961 (International Conference on Cataloguing Principles in 1961). O objetivo foi o de servir como base para uma padronização catalográfica internacional. Neste sentido, a maioria dos códigos de catalogação desenvolvidos, a partir de então, seguiram as diretrizes em grande medida.
Seis décadas depois, a existência de um conjunto comum de princípios internacionais para a catalogação, ainda é necessário. Bibliotecários de catalogação e usuários em todo o mundo utilizam catálogos online como sistemas de busca e descoberta. Em 2009, a IFLA produziu uma nova declaração ampliando o escopo dos Princípios de Paris, para abranger catálogos bibliográficos online e todos os tipos de recursos. Além dos princípios e objetivos existentes, incluiu orientações sobre capacidades de busca e recuperação; bem como, diretrizes gerais para uma ampla variedade de dados bibliográficos e de autoridade, indo além da forma de entrada.
Por meio de revisões contínuas, os Princípios evoluíram para incorporar o ambiente de acesso aberto, as questões de interoperabilidade e acessibilidade, os recursos para ferramentas de descoberta e as contribuições preconizadas pelo IFLA Library Reference Model (IFLA LRM). Eles se baseiam no Multilingual Dictionary of Cataloguing Terms (MulDiCat) para garantir consistência semântica em todo o conjunto de padrões bibliográficos da IFLA.
1.2 Escopo
Os princípios desta declaração orientam o desenvolvimento de modelos conceituais ou códigos de catalogação e as decisões tomadas pelos bibliotecários de catalogação. Eles se aplicam aos atuais catálogos bibliográficos, bibliografias e outros produtos de dados criados por bibliotecas.
À medida que os cenários informacionais seguem em direção aos dados vinculados (linked data), os princípios permitem que tanto as práticas tradicionais de catalogação, que dependem de dados bibliográficos e de autoridade, quanto as abordagens baseadas em dados vinculados (ver seção 4). Visam fornecer uma estrutura consistente para a descrição de recursos bibliográficos de todos os tipos, independentemente da abordagem, do código de catalogação ou do padrão de conteúdo escolhido em uma aplicação específica. Espera-se que os princípios contribuam para o compartilhamento internacional amplo de metadados de bibliotecas e sirvam de referência para os formuladores de regras catalográficas.
A declaração considera modelos conceituais, padrões e ferramentas bibliotecárias. Embora a cooperação com outras comunidades de informação, como museus e arquivos, seja bem-vinda em questões de criação, gestão e compartilhamento de dados, essa cooperação não implica na adoção de mesmos princípios ou definições, desde que os nossos respectivos padrões promovam a interoperabilidade.
1.3 Relação com outros padrões da IFLA
Os bancos de dados e os catálogos bibliográficos estão sujeitos a políticas de dados mais amplas que se aplicam tanto local, quanto globalmente. No cenário global, a IFLA periodicamente publica declarações estratégicas que promovem dados abertos e acessíveis, incluindo, mas não restrita, a declaração da IFLA sobre Acesso Aberto (IFLA Statement on Open Access) ou o Código de Ética da IFLA para bibliotecários e outros trabalhadores da informação (IFLA Code of Ethics for Librarians and other Information Workers). Entende-se que os catálogos bibliográficos devem alinhar-se a essas declarações estratégicas para garantir uma aplicação consistente dos princípios listados neste documento.
Ele se aplica a outros padrões bibliográficos endossados pela IFLA: os Princípios Internacionais de Catalogação são a base para outros padrões da IFLA interessados na criação e compartilhamento de metadados de bibliotecas — nomeadamente modelos conceituais e padrões de conteúdo bibliográfico.
Como seus princípios não estão ancorados no tempo, supõe-se que este documento esteja menos sujeito a revisões contínuas do que outros, de modo que possa ser referenciado e aplicado por tais padrões com um senso de estabilidade. No entanto, a ICP também deve refletir as mudanças significativas trazidas por revisões ou pela adição de novos documentos normativos em outros padrões ao longo do tempo, para garantir uma aplicação consistente do conjunto de padrões bibliográficos da IFLA.
2. Princípios
Os seguintes princípios orientam a construção e o desenvolvimento dos códigos de catalogação, as decisões tomadas pelos bibliotecários de catalogação e as políticas de acesso e intercâmbio de dados.
Dentre estes, a conveniência do usuário é a mais importante, enquanto os princípios 2.2 a 2.10 não seguem uma ordem específica. Se houver conflito entre os princípios 2.2-2.10, o princípio da interoperabilidade deve ser priorizado em relação aos demais.
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3. Objetivos e Propósito do Catálogo
O catálogo deve ser um instrumento eficaz e eficiente que permita tarefas do usuário, conforme definido pelo modelo conceitual IFLA LRM:
1. Encontrar recursos bibliográficos em uma coleção como resultado de uma busca usando atributos ou relações das entidades, ou seja, encontrar um único recurso ou conjuntos de recursos que representem:
• todos os recursos que realizam a mesma obra,
• todos os recursos que incorporam a mesma expressão,
• todos os recursos que exemplificam a mesma manifestação,
• todos os recursos associados a um determinado agente,
• todos os recursos sobre ou a respeito de uma determinada entidade,
• todos os recursos caracterizados por outros atributos ou relações (idioma, local de publicação, data de publicação, forma de conteúdo, tipo de mídia, tipo de suporte etc.), geralmente como um limite secundário de um resultado de busca.
2. Identificar um recurso bibliográfico ou um agente (ou seja, confirmar que a entidade descrita corresponde à entidade procurada ou distinguir entre duas ou mais entidades com características semelhantes).
3. Selecionar um recurso bibliográfico adequado às necessidades do usuário (ou seja, escolher um recurso que atenda aos requisitos do usuário em relação a meio, conteúdo, suporte etc., ou excluir um recurso por ser irrelevante às necessidades do usuário).
4. Obter um item descrito (ou seja, acessar um item físico por meio de empréstimo, compra etc., ou acessar um item digital por meio de uma conexão online a uma fonte remota).
5. Explorar (ou seja, navegar dentro de um catálogo, por meio do arranjo lógico de dados bibliográficos e de autoridade e da apresentação clara de relações entre entidades; ou além do catálogo, para outros catálogos e comunidades).
Quando a busca recupera uma grande quantidade de dados, os resultados devem ser exibidos em alguma ordem lógica conveniente para o usuário do catálogo, preferencialmente de acordo com um padrão relevante para o idioma e/ou texto do recurso.
Nomes devem ser pesquisáveis e recuperáveis por meio de qualquer dispositivo disponível no catálogo da biblioteca ou arquivo bibliográfico (por formas completas de nomes, palavras-chave, frases, truncamento, identificadores etc.). Os dados devem ser abertos e pesquisáveis mesmo por dispositivos não bibliotecários, a fim de aumentar a interoperabilidade e a reutilização.
O usuário deve poder escolher entre diferentes critérios de ordenação: data de publicação mais antiga ou mais recente, ordem alfabética, classificação por relevância etc. Quando possível, deve-se preferir uma exibição que mostre entidades e suas relações.
4. Uso consistente dos padrões de catalogação
Existem duas formas de abordar a catalogação. A "catalogação tradicional" faz a distinção entre dados bibliográficos e de autoridade, enquanto a "catalogação baseada em entidades" (entity-based cataloguing) utiliza entidades e relacionamento, conforme definido por um modelo conceitual, para servir como suporte para dados vinculados.
Esses dois métodos não são mutuamente exclusivos: muitas vezes, ambos podem coexistir em um único sistema bibliotecário, permitindo a catalogação de dados vinculados mesmo quando se utilizam dados bibliográficos e de autoridade. Tipicamente, instâncias de entidades do IFLA LRM podem ser representadas por descrições conhecidas como dados bibliográficos, holdings e de autoridade em sistemas de catalogação tradicionais.
4.1 Modelo conceitual
Um modelo conceitual define as entidades do universo bibliográfico, suas características e relações. As entidades são os objetos de interesse principais para os usuários dos sistemas de informação de bibliotecas.
Cada entidade pode ser descrita por seus atributos, que identificam a entidade e, também, servem como meios pelos quais os usuários formulam consultas e interpretam respostas ao buscar informações sobre uma entidade específica. A catalogação baseada em entidades deve utilizar atributos que identifiquem cada entidade como elementos de dados. Os relacionamentos explicam as conexões entre entidades. Um usuário pode buscar usando um atributo ou o relacionamento de uma entidade, ou qualquer combinação de atributos e/ou relacionamentos. Devem ser fornecidas relações bibliograficamente significativas entre as entidades. O modelo atual é o IFLA Library Reference Model (IFLA LRM).
Extensões e refinamentos de entidades, atributos e relações devem ser documentados e mapeados para o IFLA LRM. Ao utilizar um modelo conceitual diferente, todos os esforços devem ser feitos para fornecer acesso aberto a mapeamentos publicados entre o modelo utilizado e o IFLA LRM.
4.2 Padrão de conteúdo
Um padrão de conteúdo fornece instruções sobre como registrar elementos de dados. O padrão atual é o International Standard Bibliographic Description (ISBD). Ao basear-se em um padrão diferente, todos os esforços devem ser feitos para fornecer acesso aberto a mapeamentos publicados entre o padrão utilizado e o ISBD, para promover melhor interoperabilidade e reutilização precisa da informação.
Em geral, uma descrição bibliográfica separada é criada para cada manifestação. Uma descrição bibliográfica geralmente é baseada em um item que exemplifica a manifestação sendo descrita. Essa descrição pode incluir atributos ou vincular a atributos que pertencem ao item e às obras e expressões incorporadas. As descrições podem estar em vários níveis de completude, dependendo do propósito do catálogo ou conjunto de dados bibliográficos. Informações sobre o nível de completude devem ser comunicadas ao usuário.
4.3 Identificadores
4.3.1 Propósito e princípios
Identificadores fornecem acesso inequívoco a uma instância de uma entidade, diferenciando-a de outras instâncias. Em um sistema online, identificadores únicos, em geral, são atribuídos às entidades descritas e às próprias descrições. As agências responsáveis devem garantir a persistência dos identificadores pelos quais são responsáveis.
4.3.2 Pontos de acesso
Pontos de acesso são identificadores que fornecem recuperação confiável de dados bibliográficos e de autoridade e seus recursos bibliográficos associados. Eles são úteis para colocar em conjunto e limitar resultados de busca. Geralmente consistem em uma cadeia de caracteres de nome ou qualquer combinação de sinais que forme a designação associada a uma entidade — seu nomen. Pontos de acesso apoiam as tarefas do usuário: Encontrar, Identificar e Explorar.
Pontos de acesso autorizados baseiam-se no nome preferido de uma entidade, que deve ser escolhido de acordo com regras ou padrões internacionais. Pontos de acesso adicionais baseiam-se nas formas variantes de nomes associadas a essa entidade.
Pontos de acesso autorizados para obras e expressões incorporadas no recurso, o título da manifestação e os pontos de acesso autorizados para os criadores de obras devem ser incluídos como pontos de acesso para dados bibliográficos.
Pontos de acesso autorizados adicionais para qualquer outra entidade devem ser fornecidos aos dados bibliográficos, quando considerados importantes para encontrar e identificar o recurso bibliográfico descrito.
A forma autorizada do nome para a entidade; bem como, as formas variantes do nome, devem ser incluídas como pontos de acesso para dados de autoridade. Pontos de acesso adicionais podem ser fornecidos por meio de nomes de entidades relacionadas.
4.3.3 Construção e escolha de pontos de acesso autorizados
Pontos de acesso autorizados fornecem desambiguação entre entidades e devem ser construídos seguindo um padrão. O ponto de acesso autorizado para o nome de uma entidade deve ser registrado junto com identificadores para a entidade e formas variantes do nome. Um ponto de acesso autorizado pode ser usado como uma forma padrão para exibições no catálogo.
O nome preferido para uma entidade deve identificá-la de maneira consistente, seja como encontrada na expressão representativa da obra, como aparece mais frequentemente nas manifestações ou como uma forma de nome bem aceita pelos usuários do catálogo, conforme encontrado em fontes de referência (por exemplo, "nome convencional").
Ao escolher a forma do nome na qual basear o ponto de acesso autorizado de uma entidade, devem ser feitas distinções entre agentes e entidades WEMI:
• Agentes: em termos de seleção e ordem de palavras, a forma do nome de um agente deve ser escolhida seguindo as convenções do país e idioma mais associados a esse agente, conforme encontrado em manifestações ou fontes de referência.
• Entidades WEMI: um ponto de acesso autorizado para uma obra, expressão, manifestação ou item pode ser criado a partir de um título que possa ser autônomo ou de um título combinado com o ponto de acesso autorizado para o(s) criador(es) da obra.
Para distinguir uma entidade de outras com o mesmo nome, atributos adicionais devem ser incluídos como parte do ponto de acesso autorizado para uma entidade, a fim de identificar uma e apenas uma instância dessa entidade. Se desejável, os mesmos atributos podem ser incluídos como parte das formas variantes do nome.
Qualquer que seja o nome escolhido para o ponto de acesso autorizado, os nomes variantes e formas variantes do nome também devem ser registrados como dados de autoridade para acesso controlado.
Em resumo, a ICP, de 2025, em discussão para ser publicada, representa a contínua evolução da catalogação desde o histórico Princípios de Paris (1961). O presente documento orienta a padronização das práticas de catalogação, adaptando-se ao cenário digital e à era dos dados vinculados. Enfatiza a importância da conveniência do usuário, interoperabilidade e acessibilidade, refletindo as mudanças tecnológicas e as necessidades contemporâneas das bibliotecas. O texto proposto destaca a relevância de modelos conceituais, como o IFLA LRM, que define entidades, atributos e relações no universo bibliográfico. Além disso, aborda a coexistência de abordagens tradicionais (baseadas em dados bibliográficos e de autoridade) e modernas (baseadas em entidades/relacionamento e dados vinculados), promovendo a integração entre sistemas. O catálogo é definido como uma ferramenta que permite tarefas essenciais, como encontrar, identificar, selecionar e obter recursos, além de explorar relações entre entidades. A ICP também aborda a importância de identificadores únicos e pontos de acesso autorizados para desambiguação e recuperação eficiente das informações.
Por fim, o documento reforça a necessidade de alinhamento com outros padrões da IFLA, como a ISBD e as declarações estratégicas sobre dados abertos, assegurando coerência no ecossistema bibliográfico global.
Da leitura, observa-se como a ICP aborda a coexistência de métodos tradicionais e modernos de catalogação. A coexistência é possível ao se reconhecer que os sistemas podem integrar catalogação tradicional (dados bibliográficos/de autoridade) e abordagens baseadas em entidades (dados vinculados), desde que garantam interoperabilidade. Um ponto importante são os princípios prioritários, em caso de conflito. Nesta situação a “conveniência do usuário” é a mais importante, seguida pela “interoperabilidade”, que prevalece sobre os demais princípios em situações de conflito. Também valoriza que as descrições devem ser precisas e refletir como a entidade se apresenta, usando formas de nomes preferenciais baseadas em fontes de referência ou manifestações.
Com relação a esta versão preliminar revisada da ICP, solicita-se manifestação da comunidade bibliotecária, sobre os seguintes tópicos:
- Opinião sobre a linguagem do documento. Se é fácil de entender do ponto de vista de um falante não nativo de inglês?
- Se a estrutura do documento é clara e consistente?
- Quanto ao propósito do documento. Ele é claramente declarado?
- Se a declaração de intenções é útil na sua avaliação do documento?
- Após aprovação do documento, como a IFLA deve comunicá-lo no futuro?
As respostas sobre as indagações acima, devem ser enviadas em um arquivo no formato PDF ou MS Word, indicando “ICP World-wide Review” no assunto da mensagem, encaminhada para os correios: melanie.roche@bnf.fr e christian.Aliverti@nb.admin.ch.
De qualquer forma, quando bibliotecas promovem a migração de seus processos catalográficos para novos padrões normativos, este documento torna-se uma importante fonte de apoio às políticas e aos procedimentos migratórios, especialmente no Brasil.
Indicação de leitura:
ICP Working Group. Revision of ICP 2025: statement of intent. IFLA Cataloguing Section, 2025.
ICP Working Group. Statement of International Cataloguing Principles (ICP): Submitted for worldwide review. IFLA Cataloguing Section, March 2025.
