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BIBLIOTECONOMIA DIGITAL
Colunas Liliana Giusti Serra

BIBLIOTECONOMIA DIGITAL
[Junho/2013]

As inovações tecnológicas estão tão impregnadas na ciência da informação que não é possível mais pensarmos o desenvolvimento de nosso trabalho sem elas. Muitas vezes nos pegamos pensando em como, na década de 1980 e 1990 por exemplo, as bibliotecas conseguiam sobreviver sem internet, bases de dados online, importação e exportação de metadados, sistemas automatizados e outros recursos existentes hoje. Evidentemente os padrões de metadados não iniciaram na década de 1990, porém, no Brasil, começamos a falar em formato MARC nesta época. Neste mesmo período a internet estava engatinhando, principalmente no mundo acadêmico, e era muito diferente do que é hoje. As bibliotecas mais modernas e abastadas contavam com acesso a bases de dados por Telnet, através de conexão discada, ou utilizando-se de mídias físicas, mediante altos investimentos por parte das instituições. Bibliotecas “modernas” contavam com recursos multimídia, massivamente através de CD-ROMs onde, muitas vezes, proporcionávamos aos usuários o primeiro contato com a pesquisa, recursos e leitura digitais. Vendo por este prisma, parece que isso aconteceu há muito tempo e, aos olhos das novas gerações, a pesquisa sem internet ou fontes digitais é inimaginável ou, até mesmo, impossível!

 

A velocidade do desenvolvimento tecnológico tem proporcionado mudanças aceleradas e intensas nas bibliotecas. Segundo Tammaro (2011), isso se deve ao crescimento da editoria digital e ao processo de digitalização de acervos. Evidentemente, esta virtualização / digitalização dos acervos está causando impactos na atividade desempenhada pelo bibliotecário. Dentre as competências da profissão, uma dúvida porém, surge: pressupõe-se um informático com competências para atuar em bibliotecas ou um bibliotecário com competências avançadas de informática? Dentre as possibilidades discutidas no Librarian@2010 Educating for the future, ocorrido em Lisboa em setembro de 2007, identificou-se três correntes de pensamento: 1) a da comunidade de bibliotecários orientada a se aproximar de novas técnicas (Wiki, Web 2.0 etc.); 2) os profissionais que defendem uma atuação que privilegie as pessoas, enxergando o bibliotecário como um incentivador da aprendizagem permanente e; 3) a centralização do trabalho bibliotecário no quesito técnico biblioteconômico, em comportamento marcado de oposição às novas tecnologias. Entendo que o papel do profissional da ciência da informação é aliar sua técnica biblioteconômica utilizando-se de ferramentas informáticas que permitam o desenvolvimento de sua atividade de forma mais ágil sem, contudo, perder o foco da atividade que desempenha: um profissional que identifica, seleciona, organiza e disponibiliza o acesso à informação. A técnica, tanto em termos de biblioteconomia quanto em tecnologia, é o meio da atividade e não o seu fim e deve ser empregada como tal, a fim de proporcionar mais recursos, tanto aos bibliotecários quanto aos usuários. Vendo sob esta ótica, o bibliotecário deve atualizar-se e familiarizar-se com as novas tecnologias, mas não, necessariamente, privilegia-las para vir a atuar neste mercado, ou seja, deve identificar como extrair competências e aplica-las à sua realidade profissional. Não é necessário que o bibliotecário seja capaz de escrever linhas de comando ou realizar programação, mas deve ter habilidades para discutir com analistas e informáticos sobre as demandas inerentes à sua atividade, sobre o desenvolvimento de novas funcionalidades nos sistemas, identificar a aderência a formatos e protocolos etc. Todo profissional necessita manter-se constantemente atualizado e não é possível creditar unicamente às instituições de ensino a transferência do conhecimento, até porque os cursos de biblioteconomia não conseguem manter um curriculum atualizado que englobe estas mudanças tecnológicas.

 

Temos observado muitas mudanças relacionadas aos livros. As bibliotecas são consideradas como um organismo vivo, onde serviços e a guarda de informações, caracterizadas principalmente por documentos impressos textuais, são centralizados visando atender à comunidade. Entendendo a tecnologia da informação como um conjunto de dispositivos mecânicos e eletrônicos que auxiliam no armazenamento, recuperação e gestão da informação, segundo Darnton (2010, p.39), existiram quatro mudanças representativas nesta tecnologia: 1) a invenção da escrita, por volta de 4000 a.C.; 2) a substituição do pergaminho pelo códice – com a introdução de páginas ao invés de rolos -, no início da era Cristã; 3) a invenção da impressão com tipos móveis, em 1450 por Gutenberg e; 4) a comunicação eletrônica, em meados do século XX, com o surgimento da internet. O autor examina estas questões como:

 

... a velocidade das mudanças é de tirar o folego: da escrita ao códice foram 4300 anos; do códice aos tipos móveis, 1150 anos; dos tipos móveis à internet, 524 anos; da internet aos buscadores, dezessete anos; dos buscadores ao algoritmo de relevância do Google, sete anos; e quem pode imaginar o que está por vir no futuro próximo? DARNTON (2010, p.41)

 

Como podemos observar, o ritmo de atualização das inovações tecnológicas é acelerado, muitas vezes não permitindo tempo hábil para ter contato e assimilação das inovações, ocasionando em obsolescência do profissional, recursos disponíveis e, consequentemente, nos serviços prestados. A velocidade com que a tecnologia é substituída normalmente não permite o acompanhamento de todas as novidades, sendo uma dificuldade identificar qual(is) onda(s) seguir e qual(is) deixar passar.

 

Com o advento das tecnologias, novas formas de propagar informações e conteúdos foram desenvolvidas, representando um desafio que envolve todos os personagens envolvidos com a criação, manutenção e utilização de recursos. Acrescentando o fato que a forma como o leitor consome informações foi alterada e na diversidade de formatos e facilidade de acesso, as novas tecnologias impactam a realidade das bibliotecas e sua adesão aos acervos devem ser pensadas na forma de garantir a preservação de publicações e o acesso ao público.

 

Esta coluna busca, modestamente, trazer para discussão temas atuais da ciência da informação em sintonia com a evolução tecnológica que impacta a área. Sem a pretensão de esgotar assuntos, a proposta é apresentar questões de interesse dos bibliotecários para estimular a discussão e possibilidades de aprendizado e aplicação nas unidades de informação. Dentre os temas que serão tratados, destacam-se: automação de bibliotecas, migração de registros, OPACs, Web 2.0, formatos de metadados, livros digitais (e-books), tipologia de conteúdo digital e os modelos de negócios existentes, dispositivos de leitura digital, bibliotecas digitais, virtuais e híbridas, digitalização de acervos, repositórios digitais, preservação digital, aplicação de QR Codes em bibliotecas, arquitetura da informação, GED-ECM (Enterprise Content Management), DRM (Digital Rights Management), cloud computing, SAS (Software As Service), metabuscadores, busca facetada, auto-publicação, competência da informação, redes sociais, portais corporativos, Second life e muitos outros assuntos que podem vir a surgir, sempre colocando a biblioteca em primeiro plano.

 

Segundo Cunha e Cavalcanti (2008, p.55), a biblioteconomia é definida como o conhecimento e prática da organização de documentos em bibliotecas, tendo por finalidade sua utilização. Responde também pelos problemas suscitados pelos acervos (formação, desenvolvimento, classificação, catalogação, conservação) e pela própria biblioteca como serviço organizado (regulamento, pessoal, contabilidade, local, mobiliário), e pelos leitores. Já Faria e Pericão (2008) entendem biblioteconomia como a teoria, atividades e técnicas relativas à organização e gestão de bibliotecas, assim como a aplicação da legislação que as rege. É a arte de arranjar, administrar e conservar uma biblioteca.

 

Por digital entende-se como uma representação com números inteiros, em determinada notação, de todas as variáveis que ocorrem num problema, tendo como antônimo o conceito de analógico – dado representado por uma função ou uma grandeza física que varia de modo contínuo (CUNHA; CAVALCANTI, 2008).

 

Na área da informática aplica-se o termo digital para designar informações representadas sob forma discreta ou descontínua, por oposição a informações analógicas. Também é entendido como um conjunto de tecnologias baseadas numa transformação (digitalização) de um sinal em números – em séries de 0 e 1 – que implicam em geral o uso de um computador (FARIA; PERICÃO, 2008).

 

Como uma área multidisciplinar, a biblioteconomia dialoga com diversas outras áreas do conhecimento, permitindo ao profissional a identificação de conceitos e recursos diversos de forma a agregar à sua rotina uma variedade de aplicações. O termo Biblioteconomia digital, aqui cunhado livremente para representar as tendências e inovações na área da biblioteconomia, prioritariamente relacionadas à informática, mas não limitando-se a ela, visa discutir sobre as evoluções, novidades e possibilidades de aplicações tecnológicas nas atividades do bibliotecário, contribuindo com aplicações de novos recursos e serviços de informação. A tecnologia favorece o desenvolvimento de atividades que, se realizadas de forma analógica, comprometeriam bastante o tempo do profissional. Não podemos enxergar a tecnologia como uma ameaça que irá colocar em risco a atividade do bibliotecário, mas uma ferramenta para automatizar processos rotineiros ou atividades que necessitam ser feitas, normalmente em grande volume e que, contudo são instrumentos de trabalho e não a própria realização da atividade bibliotecária. Tomando como exemplo a rotina de importação de registros bibliográficos através de catalogação cooperativa, por mais que um registro esteja cadastrado em uma rede de bibliotecas e passível de importação, isso não representa que o trabalho do bibliotecário local será dispensado. Os registros importados são acrescentados em catálogos para permitir sua descoberta pelos usuários. Uma descrição não é realizada por uma máquina, mas por pessoas que alimentam estes sistemas e que proveem um conjunto de metadados compatíveis com o nível descritivo e a qualidade estabelecida na política de cada instituição. A importação de registros é realizada para agilizar o processamento técnico e disponibilizar a obra ao usuário com a maior brevidade possível e não para tornar o trabalho do bibliotecário desnecessário. Centrando-se neste entendimento, esta coluna pretende trazer à luz temas relevantes sobre a utilização de recursos tecnológicos nas bibliotecas e os impactos oriundos na atividade do profissional bibliotecário.

 

Referencias

CUNHA, Murilo Bastos da; CAVALCANTI, Cordélia Robalinho de Oliveira. Dicionário de biblioteconomia e arquivologia. Brasília: Briquet de Lemos, 2008. 451 p.

 

DARNTON, Robert. A questão dos livros: passado, presente e futuro. São Paulo: Cia Das Letras, 2010. 231 p.

 

FARIA, Maria Isabel & PERICÃO, Maria da Graça. Dicionário do livro: da escrita ao livro eletrônico. São Paulo: Edusp, 2008. 761p.

 

TAMMARO, Anna M. Bibliotecários na era digital: como preencher o gap entre teoria e pratica. RABCI, nov. 2001. Disponível em: http://rabci.org/rabci/sites/default/files/Bibliotecários%20na%20era%20digital%20ed.%20rev..pdf. Trad. Por Renato Railo de: Bibliotecari nell’era digitale. Biblioteche Oggi, Milão, n.9, nov. 2007, p.59-62. Disponivel em: http://www.bibliotecheoggi.it/. Acesso em 7.04.2013.

 



 Sobre Liliana Giusti Serra
Bibliotecária com especialização em Gerência de Sistemas e Serviços de Informação pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo. Formação em ECM (Enterprise Content Management). Profissional de Informação da Prima (SophiA Biblioteca). Mestranda no Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação – ECA/USP.

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