BIBLIOTECONOMIA DIGITAL


MUDANÇAS NO CENÁRIO DOS LIVROS DIGITAIS NO BRASIL

Livros digitais não são novidade para bibliotecas. O mercado brasileiro já vem convivendo com esses recursos há quase 10 anos. Evidentemente ainda não é possível dizer que as bibliotecas estão maduras e com práticas consolidadas para utilização destes recursos, porém avanços já foram feitos. Embora algumas estatísticas alarmistas tentem emplacar a ideia que o livro digital não caiu no gosto do leitor, a realidade é um pouco diferente. As primeiras estatísticas de livros digitais eram muito altas, afinal não existiam dados para comparação. Qualquer volume de comercialização seria um número expressivo e não era raro encontrar notícias que informavam que os licenciamentos de livros digitais observavam crescimentos de 70% ou ainda superiores. Com o passar do tempo os índices de licenciamentos não mantiveram porcentagens tão altas, afinal os números não saiam mais do zero, com a quantidade de transações alcançando uma estabilidade. Portanto é compreensível que após o boom inicial o volume de licenciamentos não apresente números tão altos como os das primeiras ofertas, mas isso não siginifica que o livro digital possui baixo interesse.

A questão não é se o livro digital é melhor ou pior que o livro impresso. Este ponto não está em discussão. O livro digital não precisa eliminar o livro impresso para existir! Apesar de similares, são produtos diferentes, demandando gestões específicas. Existem vantagens e desvantagens em relação a ambos.

O Brasil começou a trabalhar com livros digitais com atraso em relação aos Estados Unidos e Europa, o que não é necessariamente um aspecto negativo, uma vez que ao virem para cá, algumas possibilidades de licenciamento já tinham sido testadas e diversos modelos de negócios estavam em experimentação. Mesmo assim, os modelos de licenciamento utilizados no Brasil são, essencialmente, o Aquisição Perpétua e a Assinatura, apesar de existirem relatos de universidades que utilizam o Aquisição Baseada em Evidência (EBA - Evidence Based Acquisition), um modelo orientado aos usuários.

A inclusão de livros digitais em bibliotecas ocorreu de forma gradual, com a oferta inicial de títulos técnicos e acadêmicos, atendendo às demandas de universidades, tribunais, escritórios de advocacia e empresas. Após atendido o segmento de livros técnicos, passou-se para a oferta de títulos de ficção e não-ficção, demandados, principalmente, por bibliotecas públicas. O último grupo a ser atendido foi o público infantil e infanto-juvenil, com títulos voltados para os acervos de bibliotecas escolares. Observamos movimento similar no Brasil.

As bibliotecas brasileiras possuem fornecedores de conteúdo digital para atender às demandas de livros técnicos e acadêmicos. Faltava a possibilidade de contratação de livros de ficção e não ficção. Em maio de 2019 esta demanda passou a ser atendida, com o início das atividades do Odilo no Brasil.

O Odilo é um agregador de conteúdo fundado na Espanha e com atuação em todo o mundo. Sua plataforma possui mais de 2 milhões de títulos, reunindo obras de quase 5.000 editores, em mais de 40 idiomas. O Odilo vem negociando a inclusão de conteúdo de editoras brasileiras, contando, atualmente, com mais de 21.000 títulos em português. O marketplace para o Brasil possui mais de 1.200.000 títulos provenientes de variados países e que podem ser licenciados aqui. O contato com os editores brasileiros está em curso e novos títulos continuam a ser agregados a este conjunto, na medida em que novas editoras fecham parceria com o Odilo. Atualmente fazem parte da carteira Odilo editoras como Companhia das Letras, Rocco Digital, L&PM, Vozes, Autêntica, Planeta, Paulus, Appris, entre outras.

A plataforma Odilo pode ser customizada pelo cliente, incluindo logotipo, imagens e cores, com os livros disponibilizados em carrosseis, em interface que lembra o Netflix. Os títulos presentes podem ser os contratados na plataforma, mas conteúdos próprios podem ser incluídos. A instituição pode disponibilizar seus títulos para que sejam oferecidos para licenciamento aos demais clientes Odilo no mundo todo ou pode incluí-los somente para acesso de seus usuários.

As formas de contratação são variadas e definidas pelos editores, assim como os valores para licenciamento. Além de Aquisição Perpétua e Assinatura, são oferecidos os modelos de negócio Acesso Medido (Metered Access), Pagamento por uso (Cost per Circulation) e a contratação de uso simultâneo dos livros. Um mesmo título pode estar disponível para licenciamento por mais de um modelo, o que proporciona flexibilidade de contratação às bibliotecas.

O modelo de licenciamento Acesso Medido foi um dos primeiros a ser lançado com os livros digitais. O primeiro fornecedor a oferecê-lo foi a HarperCollins, uma das editoras do grupo das Big Five, que o identificou como Harper 26. Ele consiste na contratação de uma quantidade definida de acessos que podem ser realizados dentro de um período. Ao contratar um livro por este modelo, o mesmo estará disponível para uso por 26 vezes dentro de um ano; ou por 52 vezes em dois anos. Ao acabar a quantidade de acessos/tempo contratado, um novo licenciamento deve ser feito e inicia-se um novo ciclo.

Este modelo pode ser atrativo para bibliotecas, evitando que títulos que possuem procura sazonal sejam contratados à perpetuidade ou por modelos que possuem valores mais elevados de licenciamento. Pode ser bastante interessante para bibliotecas públicas, principalmente em relação aos lançamentos, que apresentam forte demanda na sua divulgação, mas cujo interesse vai caindo na medida que outros títulos são lançados. Para bibliotecas universitárias pode atender demandas temporárias de títulos específicos.

O modelo de Pagamento por uso é como se fosse um pay per view ou um aluguel, remunerando o editor com uma porcentagem do valor do livro, usualmente de 10%. O livro fica disponível para acesso, porém não é parte fixa da coleção. Novamente, esta modalidade de licenciamento pode ser interessante às bibliotecas, uma vez que é possível dar acesso a títulos que não seriam contratados por outros modelos sem, contudo, fazer um investimento total para disponibilizá-lo aos usuários. A biblioteca pode definir qual o valor máximo será alocado para uso neste modelo, definindo limites diários, semanais ou mensais, controlando o uso dos recursos.

A oferta de acesso simultâneo não é uma exclusividade do Odilo. Via de regra o acesso aos livros digitais é monousuário, sem simultaneidade. Alguns fornecedores permitem o uso concorrente ou até mesmo ilimitado, porém isto interfere fortemente no valor do licenciamento. A contratação de acessos simultâneos seria a mesma coisa que a compra de exemplares impressos. Ao contratar, por exemplo, 5 acessos a um título, o mesmo fica disponível para 5 empréstimos em simultâneidade. Após o quinto empréstimo, inicia-se uma fila de reserva cujo atendimento segue a ordem das solicitações. Na medida que os empréstimos expiram ou são devolvidos com antecedência a fila é atendida.

Diferentemente do que ocorre com outros fornecedores, com o Odilo o bibliotecário seleciona os títulos que deseja licenciar, não precisando contratar pacotes com diversas obras que provavelmente não serão utilizadas pelos usuários. Isto proporciona familiaridade no processo de aquisição, ao emular a forma como os livros impressos são adquiridos. Também representa liberdade à biblioteca para escolher os títulos que farão parte de sua coleção, sem sofrer nenhum tipo de influência, investindo somente nos títulos que de fato deseja.

A leitura dos livros digitais é sempre mediada por uma plataforma e sem ela não ocorre o acesso ao conteúdo. A biblioteca não recebe os arquivos digitais do fornecedor quando faz um licenciamento, mas obtém a permissão de uso da plataforma pelo período de vigência da contratação. Esta situação cria instabilidade às bibliotecas, afinal os fornecedores podem ser obrigados a remover títulos de suas plataformas por motivos diversos, mas principalmente por restrições legais oriundas de quebra ou não renovação de contratos entre autores, editores e agregadores. Se um autor sai de uma editora, esta não tem mais o direito de comercializar suas obras e precisa removê-las de seu cartel. O agregador que representa a editora também é obrigado a remover os títulos de sua plataforma, comunicando os clientes da indisponibilidade dos títulos. Da mesma forma que a biblioteca, o agregador é “passageiro” nesta viagem, devendo acatar com as definições estabelecidas pelos representantes legais dos livros. Caso não remova os títulos de sua plataforma, o fornecedor estará infringindo a lei de direitos autorais.

Se com os demais modelos corre-se o risco de remoção de títulos contratados por quaisquer formas de licenciamento (inclusive no Aquisição perpétua!), no Odilo, a partir do momento que o título foi contratado à perpetuidade, ele fará parte da plataforma da instituição contratante, sem riscos de remoção. As obras podem ser removidas do marketplace, impedindo novas contratações, mas permanecem na plataforma da instituição, garantindo sua disponibilidade em longo prazo. Esta situação proporciona grande estabilidade às coleções das bibliotecas, dando segurança aos usuários que as obras poderão ser consultadas no futuro.

Ao contratar o Odilo é feito um investimento na plataforma, além de ser aportado um valor para licenciamento de conteúdo. A plataforma precisa ser renovada anualmente, garantindo o acesso aos títulos que foram contratados, de acordo com os modelos aplicados no licenciamento. Por outro lado, o valor destinado para a aquisição do conteúdo não expira e pode ser utilizado de forma paulatina. Com isso a biblioteca não precisa fazer o investimento em conteúdo de uma única vez, utilizando os recursos de forma gradual, mantendo os valores não consumidos nas próximas renovações da plataforma.

A experiência de leitura proporcionada pela plataforma atende aos principais requisitos de acessibilidade, com a opção de escutar os livros que estão no formato ePub, definindo, inclusive, a cadência da leitura que deve ser realizada. Também é possível alterar tipos de fontes e tamanhos, de acordo com o interesse do leitor. Uma fonte específica para pessoas com dislexia está disponível, contribuindo com uma melhor experiência de leitura aos usuários.

A plataforma Odilo pode ser acessada por computadores, dispositivos de leitura e smartphones, com o uso do OdiloApp para dispositivos Android e IOS, com boa experiência de leitura, podendo, inclusive, posicionar o texto no ponto onde a leitura foi interrompida ao retomar o livro por um dispositivo diferente.

A plataforma também permite a criação de Clubes de leitura, com tutores, conduzindo a leitura de grupos com planejamento, criação de exercícios, atividades, fórum de discussões, chat e cronograma para realização das atividades. Estes recursos permitem ao tutor acompanhar a evolução de leitura do grupo, identificando quem realmente fez a leitura e as atividades proporstas, além da troca de ideias e a possibilidade de criação coletiva de textos. O Clube de leitura pode ser adotado por qualquer tipo de biblioteca, seja ela universitária, escolar, pública, corporativa, jurídica ou da saúde.

Agora as bibliotecas brasileiras podem contar com oferta de livros de ficção e não-ficção para seus acervos, escolhendo os títulos que desejam licenciar, com diversas opções de modelos de negócios, proporcionando economia e melhor aproveitamento dos recursos financeiros existentes. Os títulos disponíveis no Odilo podem ser consultados no marketplace Brasil: https://brasil.odilo.market/opac/#index.

Para saber mais sobre o Odilo entre em contato pelo e-mail odilo@prima.com.br ou pelos telefones 0800 55 7074 ou (12) 2136-7200 para todo o Brasil. Regiões metropolitanas de Brasília, Campinas, Curitiba, Rio de Janeiro e São Paulo: 3003-3200.


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LILIANA GIUSTI SERRA

Doutoranda em Ciência da Informação pela Universidade Estadual Paulista Julio de Mesquita Filho (UNESP). Mestre em Ciência da Informação pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP). Bibliotecária com especialização em Gerência de Sistemas e Serviços de Informação pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESP). Profissional de Informação dos softwares SophiA Biblioteca, SophiA Acervo e Philos.