[Novembro/2003]
O processo de inteligência competitiva
(I.C.) necessita de pessoas capacitadas para desenvolverem as atividades
inerentes ao processo. As atividades que fazem parte da I.C., conforme
anteriormente mencionado são:
1. "Identificar os "nichos" de
inteligência internos e externos à organização;
2. Prospectar, acessar e
coletar os dados, informações e conhecimento produzidos internamente e
externamente à organização;
3. Selecionar e filtrar os dados, informações e
conhecimento relevantes para as pessoas e para a organização;
4. Tratar e
agregar valor aos dados, informações e conhecimento mapeados e filtrados,
buscando linguagens de interação usuário / sistema;
5. Armazenar através de
tecnologias de informação os dados, informações e conhecimento tratados,
buscando qualidade e segurança;
6. Disseminar e transferir os dados,
informações e conhecimento através de serviços e produtos de alto valor agregado
para o desenvolvimento competitivo e inteligente das pessoas e da
organização;
7. Criar mecanismos de feed-back da geração de novos dados,
informações e conhecimento para a retro-alimentação do
sistema"(1).
Percebe-se que essas atividades possuem diferentes
níveis de complexidade e por isso mesmo, exigem diferentes competências para
executá-las com efetividade. Se pensarmos em um modelo de inteligência
estruturado de forma híbrida, seria interessante poder contar com uma equipe
multidisciplinar, com diferentes formações, e que atendesse aos diferentes
níveis de complexidade das atividades inerentes ao processo de I.C. No entanto,
é preciso observar que o trabalho em equipes multidisciplinares, somente poderá
ser realizado se houver um comportamento favorável a esse tipo de
modelo/gestão.
Evidentemente, alguns profissionais são óbvios,
outros nem tanto. Por isso mesmo, a organização precisa definir claramente quais
as competências essenciais que a equipe multidisciplinar deve ter. Algumas
competências/habilidades, entendidas como essenciais para o profissional que vai
atuar em I.C., são:
a) Comunicação;
b)
Perspicácia;
c) Observação;
d) Criatividade;
e) Intuição;
f)
Persistência;
g) Astúcia;
h) Senso crítico;
i) Autodidatismo;
j)
Empreendedorismo;
k) Espírito investigativo;
l) Capacidade de
análise;
m) Capacidade de síntese;
n) Saber agregar valor;
o) Saber
planejar;
p) Conhecer as tecnologias de informação e comunicação;
q)
Conhecer fontes/bancos/bases de dados
informacionais(2).
Além das competências e habilidades essenciais, é
necessário observar a formação dos profissionais que farão parte da equipe de
I.C., pois certamente influenciarão na elaboração e na qualidade dos produtos e
serviços resultantes do processo e disponibilizados aos indivíduos da
organização.
Para isso, é necessário estabelecer quais são os
eixos essenciais para a organização. Dutra sugere que as organizações possuam
uma estrutura de competências, de forma que se conectem aos "eixos" da
organização, como por exemplo, administrativo, gerencial, tecnológico etc., e,
para cada eixo, seja definido um número mínimo de sete
competências(3).
Seguindo esse raciocínio, a equipe multidisciplinar
de I.C., pode ser assim considerada em termos de formação:
1. Profissional com formação
relacionada ao negócio da organização;
2. Profissional com formação
relacionada as tecnologias de informação e comunicação;
3. Profissional com
formação relacionada a análises estatísticas;
4. Profissional com formação
relacionada as questões da informação;
5. Profissional com formação
relacionada as questões do conhecimento;
6. Profissional com formação
relacionada as questões de gestão/planejamento.
Essas seis diferentes formações podem atuar de forma
integrada, de maneira que o processo de I.C. seja ágil e dinâmico. Cada pessoa
pode contribuir com os conhecimentos adquiridos durante a formação acadêmica,
visando a consistência e a confiabilidade dos produtos e serviços resultantes do
processo de I.C.
O processo de inteligência competitiva é importante
para qualquer organização competitiva. Por outro lado, as pessoas envolvidas
precisam ser capacitadas à atuarem no processo, caso contrário o objetivo da
I.C. não será alcançado. Os profissionais atuantes nessa área, precisam mais do
que nunca, perceber a importância de atuarem de forma multidisciplinar, assim
como reconhecer os benefícios que esse modelo traz para o próprio processo de
I.C.
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1 VALENTIM, M. L. P.
Inteligência competitiva em organizações: dado, informação e conhecimento.
DataGramaZero, Rio de Janeiro, v.3., n.4, p.1-13, ago. 2002.
2 MILLER, J. P. et al. O milênio da inteligência
competitiva. São Paulo: Bookman, 2002. 293p.
3 DUTRA, J. S. (Org.). Gestão do desenvolvimento e
da careira por competência. In: ________. Gestão por competências: um
modelo avançado para o gerenciamento de pessoas. São Paulo: Gente, 2001.
41-62p.