HISTÓRIA HISTÉRICA
Num zoológico em São Paulo
um cavaulo
desloucado e
deslocado, invadiu
uma grande jaula.
O jauvali
que ali morava
chamou pela fêmea
que dormitava.
Com sono,
a jauvalia –
que dormira enquanto lia –
ouviu uma resposta
que não era a sua
e que vinha de longe, do sul.
Era uma sulcuri,
cobra venenosa e sem asa
que respondia com voz triste e
sumida.
Outra resposta se ouviu:
gritou, de dentro de sua casa,
uma casacavel –
mais uma cobra venenosa.
Esta última cobra,
se desdobra
em gritar, em ser ouvida,
mas sem ouvido –
ou melhor, com ouvido
mas muda –
o surdo
ouviço,
com espinhos
para picar,
pisca os olhos
sem nada entender.
O animal da jaula vizinha
se avizinha
da grade
e gruda
seus pés nos ferros.
Outro, aos berros,
assustado,
lembrava, teimoso,
seus dias de cabresto.
O torila,
da boca da caverna,
dobra a perna
- ou as pernas –,
estufa o peito,
toma jeito,
e...
erra o urro,
falha o berro.
Que mico!
Desculpe:
mico é outro macaco
que nesse zoológico
está um caco.
Coitado, ele teve
uma desavença
que terminou aos sopapos
com um papo.
Para quem não sabe
o papo é o marido da papa
e pai dos papinhos.
Nada na lagoa
e, numa boa,
vive dizendo qua, qua.
Durante a briga surgiu
um quaranguejo,
que não deveria estar
no zoológico,
lógico,
mas esta história é maluca
e, se duvidar, surge até a cuca,
o curupira, o pererê e o
bicho papão.
O pãovão,
do outro lado do zôo,
quer levantar vôo,
mas não sabe voar.
Para variar,
abriu as penas
e se exibiu.
A biuboleta,
multicolorida,
multibonita,
se agita,
asas batendo,
polenando
beleza.
É linda,
com certeza,
A zaracura,
uma ave de perna longa,
sem delonga,
resolveu entrar na confusão.
Esta história
histérica,
tem um fim surpreendente:
no fundo, no fundo
o bicho também é gente.