FORASTEIRO
Sou um forasteiro,
um velho marinheiro,
um abandonado cão
que cheira solidão,
que vive solidão.
Sou um imigrante,
o único gigante
numa terra de
pequenos.
Sou placa entre
acenos.
Sou prédio entre
casas.
Sou cimento entre
matas.
Sou um sorriso
entre lágrimas.
Sou raiz
que não vê
o mundo.
Estou longe
da terra
como, do poço,
o fundo.
Sou janela
que ninguém
percebe,
espelho que
só vê
o outro.
Um inútil
enterrado
tesouro.
Sou informe
dissociado da
notícia. Disforme.
Sou informação
longe da verdade.
Cadáver sem osso,
água sem poço.
Sou um presente
sem passado,
Um futuro atrasado.