METROANDO
Entre degraus em movimento
ela existiu.
Passou a existir.
E eu também.
Nela vi o amor
e intuí a desilusão.
Passei a vê-la, sempre,
todo dia,
metroando no metrô,
solenemente existindo,
inadvertidamente linda,
apaixonando sem saber
ou querendo.
No nosso esbarrar,
percebo que eu não
existia.
Seus olhos não viram
os meus.
Não se ergueram.
Fiquei perdido
na plataforma.
Amor platônico.
Todo o dia,
no metrô,
procuro seus olhos
que me evitam
sem querer,
sem saber.