DOCE DIABÉTICO
Minha doce morte.
Com adoçante dietético.
Afinal, sou diabético.
Aproximação inexorável do nada.
O mel da vida, passada,
refletido em um comportamento ético.
Mas, um mel dietético.
Afinal, sou diabético.
Perante o passo final,
o coração está um pouco machucado,
um pouco lascado, rachado,
fendido, mas molhado, melado, coberto
de amor e vida.
Mas, um melado dietético.
Afinal, sou diabético.
Creio que há o nada.
E nada há.
Essa é minha crença, minha fé.
Um céu cético.
Aliás, meu céu dietético.
Afinal, sou diabético.
Quando deixar de sonhar com a morte
para sonhar com a vida,
morrerei de muitas coisas, de muitas causas,
menos de minha doença, pois meu mal não é ético.
Sou um doce diabético.