A LISTA PROIBIDA
Em 1559, o papa Paulo IV criou uma lista oficial de livros que nenhum católico deveria ler, o Index Librorum Prohibitorum. Não era uma fogueira simbólica, era um documento vaticano atualizado edição após edição, por mais de quatrocentos anos, decidindo o que passava e o que não passava pelas mãos de milhões de leitores.
Entraram nomes que hoje estão em qualquer estante, Copérnico, Galileu, Descartes, Kant, Voltaire, Victor Hugo. O "De Revolutionibus" de Copérnico foi suspenso em 1616, não queimado, suspenso "até correção", e ficou nessa espécie de limbo por mais de cento e quarenta anos, só saindo da lista em 1758. A "Monarchia" de Dante levou ainda mais tempo pra voltar a circular livremente, mais de trezentos anos proibida, de 1564 a 1881. O último grande nome incluído foi Jean-Paul Sartre, em 1948, com a obra completa vetada enquanto ele ainda estava vivo e escrevendo.
"E então tem os que faltam. Darwin nunca apareceu formalmente em nenhuma edição do Index, nem Marx. Não porque escapassem da atenção da Igreja, mas porque a proibição geral contra escritos heréticos e ateus, segundo pesquisadores do tema, já cobria implicitamente o que eles escreviam, tornando desnecessário citá-los pelo nome."
A lista foi extinta oficialmente somente em 1966, depois de quatro séculos e cerca de quatro mil títulos ao longo das edições. Hoje a maior parte desses livros são comuns nas prateleiras e é bem possível que você tenha um deles na sua.