INFORMAÇÃO E SAÚDE


PESQUISA E ESTADIA ACADÊMICA NO EXTERIOR: ROTEIRO PARA INOCENTES

Comparando situações vividas ou observadas pela convivência com outros colegas, entendo ter chegado a uma síntese que possa ajudar alunos e profissionais da ciência da informação e ciências correlatas quando optarem por realizar pesquisa ou estadia acadêmica no exterior. Este resumo em forma de roteiro poderá ser útil especialmente aos inocentes, ou seja, àqueles que ainda não tiveram uma experiência concreta de pesquisa ou estadia acadêmica no exterior.

 

Esclarece-se que a opção por divulgar este texto em uma coluna de informação e saúde deriva-se do fato de que novas linhas de pesquisa, novos nichos de atuação e temáticas novas e/ou ainda em fase de consolidação no contexto brasileiro podem se beneficiar sobremaneira dos conhecimentos e metodologias disponíveis no contexto internacional.

 

Dividiu-se este roteiro em duas partes, quais sejam, preparação e inserção no grupo de pesquisa no exterior, que serão a seguir esmiuçadas.

 

Preparação

 

O processo de pesquisa no exterior precisa ser planejado. Considerando que muitas ações devem ser realizadas, um cronograma pessoal de atividades é essencial a fim de que os objetivos sejam alcançados. Em linhas gerais, sugere-se que o interessado inicie este planejamento e preparação um ano antes da partida ao exterior.

 

Embora se saiba que existem bolsas disponíveis em várias agências de fomento – como bem ilustra o programa Ciência sem Fronteiras – no contexto brasileiro, a pesquisa ou estadia no exterior deriva, geralmente, da iniciativa do pesquisador, do discente ou do profissional. Raramente é uma atividade contemplada no plano de metas institucionais ou encarada como uma atividade normal de trabalho a ser realizada por todos. Motivos pelos quais tanto a motivação quanto o empenho para realizar pesquisa ou estadia acadêmica no exterior recaem na decisão quase sempre individual do interessado.

 

A depender do contexto acadêmico e/profissional, nem mesmo o planejamento de realização de pesquisa no exterior é encarado como uma atividade normal de trabalho. Assim, o interessado nesta atividade muitas vezes necessitará usar o seu tempo-livre de folga e/ou de férias para realizar o planejamento de sua estadia.

 

Contrariamente ao imaginado por muitos, a pesquisa no exterior é uma oportunidade que não cai do céu e que não depende de sorte. É uma atividade acadêmica e profissional que requer esforço e dedicação como qualquer outra. Logo, se você pretende ter uma estadia acadêmica ou realizar pesquisa no exterior precisa se planejar e estar bem munido de informações.

 

Escolha do centro de pesquisa no exterior

 

Uma primeira dúvida que muitos trazem consigo é: para onde ir?

 

A escolha do centro de pesquisa (universidade, instituto, empresa etc.) no exterior não deve ser aleatória, nem pautada em facilidades políticas ou pessoais. A escolha aleatória seria algo mais ou menos como “vou para onde for mais fácil”, ou algo do tipo “Luís foi e gostou. Vou para lá também” ou algo do tipo “Recebi hoje uma mensagem sobre uma Universidade Y no país β que está oferecendo bolsa de pesquisa, mas a inscrição deve ser realizada até amanhã. Vou tentar, não tenho nada a perder”.

 

Nas decisões acima, observa-se que faltaram maiores informações sobre o centro de pesquisa no exterior e que a escolha do centro está sendo pautada mais por crença que por dados e informações confiáveis. Nem sempre ir para o exterior acrescenta algo ao perfil profissional ou acadêmico. Mas qualquer ida ao exterior demanda tempo de vida, demanda financiamentos e recursos, geralmente, públicos que deveriam ser usados com propriedade.

 

Chega-se, então, à sugestão: para decidir qual centro de pesquisa ou estadia escolher no exterior é preciso que se faça uma análise comparativa dos centros existentes. Para tanto, os rankings internacionais, como, por exemplo, o QS World University Rankings e Times Higher Education são boas fontes de informação sobre universidades e centros de pesquisa.

 

Obviamente, esta análise comparativa deve considerar não apenas a posição dos centros nos rankings, mas se tais centros possuem produção científica no campo de interesse. É preciso acessar os sites institucionais dos centros de pesquisa, os institutos, os grupos de pesquisa, e os potenciais pesquisadores parceiros que o integram, os recursos disponíveis para pesquisadores, docentes e discentes, bem como os custos envolvidos.

 

Sugere-se que desta análise comparativa derive-se um quadro sintético que possa ser consultado sempre que houver alguma dúvida. Para o processo de se obter informações contundentes e pormenorizadas que subsidiem a decisão da escolha do centro de pesquisa no exterior reserve dois meses.

 

Escolha do grupo de pesquisa no exterior

 

Associada à escolha do centro de pesquisa no exterior, faz-se necessário escolher o grupo de pesquisa no exterior com o qual se pretende trabalhar. A ausência de grupos de pesquisa no centro pode ser um indicativo de foco institucional em trabalho individual, ou seja, um ambiente no qual as trocas acadêmicas entre os indivíduos e para os que chegam são pequenas ou inexistentes. Entende-se fundamental que o centro tenha grupos de pesquisa bem estabelecidos, produtivos e cooperativos.

 

Para se ter um melhor conhecimento do grupo de pesquisa é preciso realizar uma análise comparativa entre os grupos de pesquisa de interesse, considerando produtividade acadêmica, quantidade e atualidade de publicações (artigos, livros e materiais didáticos), histórico de recepção de pesquisadores e alunos estrangeiros, projetos vigentes e principais fontes de financiamento do grupo.

 

A ausência de histórico que indique a participação de pesquisadores e/ou alunos estrangeiros pode ser um indicador de possíveis dificuldades a serem enfrentadas no processo de integração ao grupo.

 

A escassez de publicações conjuntas entre os membros do grupo também é um indicativo a ser considerado, podendo indicar que o grupo segue uma linha de trabalho individual e não cooperativo.

 

No processo de escolha do grupo de pesquisa, é fundamental realizar a leitura e síntese dos principais artigos publicados pelo grupo escolhido, para que possam ser observadas possíveis temáticas de interesses comuns para desenvolvimento de projetos acadêmico-científicos.

 

Para que estas informações não sejam perdidas e possam ser consultadas em caso de dúvida, faz-se necessário a construção de um quadro que contenha os dados e informações coletadas.

 

O processo de análise dos grupos de pesquisa existentes requer um tempo considerável. Reserve ao menos dois meses para se dedicar à análise e à escolha de grupos de pesquisa de seu interesse.

 

Carta de aceitação

 

Já conhecendo os grupos de pesquisa nos melhores centros, é possível iniciar um contato com pesquisadores apresentando o interesse de desenvolver um projeto junto ao grupo de pesquisa.

 

Neste momento, não é necessário ter o projeto de pesquisa definido. Trata-se de um contato inicial, mas é importante deixar claro ao grupo qual será o período de estadia no exterior e a forma de financiamento que a suportará.

 

Pode-se iniciar o contato com apenas um grupo no exterior. Havendo demora em retorno, deve-se iniciar o contato com outro grupo e assim por diante. A demora em obter resposta, ou seja, tempo superior a 20 dias, não é um bom sinal. Logo, a ausência de retorno/resposta demandará novas estratégias e, possivelmente, uma nova apreciação dos quadros sobre os centros de pesquisa e de grupos de pesquisa já elaborados nas etapas anteriores do planejamento.

 

Uma vez iniciada a troca de e-mails, o grupo do exterior precisará do seu currículo em inglês - que costuma ser a língua mais usada no contexto acadêmico internacional. Assim, deixe-o traduzido e atualizado, preferencialmente na web. Se possível, providencie a tradução para o inglês de seu currículo na Plataforma Lattes. Em alguns casos, o currículo também poderá ser requerido na extensão doc e/ou em PDF. Organize-se e deixe esta documentação pronta.

 

Na troca de mensagens, não é preciso detalhar o projeto de pesquisa junto ao grupo anfitrião. Foque em linhas de interesse, no desejo de cooperação internacional, na necessidade de que você possui de ter uma carta de aceitação para obter o financiamento para estadia no exterior por meio das agências financiadoras do Brasil.

 

Esteja aberto a interações. Permita que o grupo no exterior lhe apresente temáticas de interesse para pesquisa. Verifique se as temáticas são realmente de seu interesse, de interesse para o Brasil e financiáveis pelas agências nacionais.

 

Reserve em torno de dois a três meses para estas trocas de mensagens e para obter uma carta de aceitação.

 

Solicitação de financiamento para pesquisa ou estadia no exterior

 

De posse da carta de aceitação, é o momento de submeter o projeto a uma agência financiadora nacional. O projeto solicitado pela maioria das agências deve conter em torno de 20 páginas, incluindo tema, revisão bibliográfica ampla e atualizada, problema de pesquisa, hipótese de pesquisa, metodologia de pesquisa, forma de análise dos resultados e contribuições decorrentes do estudo. Qualquer que seja as opções metodológicas adotadas, consubstancie suas escolhas por meio de referências compatíveis e atualizadas.

 

No caso de pesquisa a ser realizada no exterior, é preciso esclarecer os motivos relacionados a esta opção, quais serão as facilidades recebidas estando-se no centro de pesquisa no exterior, quais recursos estarão disponíveis, dentre os quais banco de dados, laboratórios, contato efetivo com pesquisadores que possam contribuir no desenvolvimento da pesquisa. Para esta argumentação será preciso fazer uso dos dados que foram coletados sobre o centro de pesquisa no exterior e sobre o grupo de pesquisa escolhido.

 

É importante assinalar que o projeto submetido à agência financiadora, poderá ser aperfeiçoado de acordo com as discussões que serão realizadas com o grupo no exterior. Assim, embora se tenha um projeto inicial, ele poderá ser alterado e enriquecido por meio das contribuições recebidas. Esclareça este ponto no projeto e à agência em questão.

 

Reserve de um a dois meses para elaborar o projeto de pesquisa a ser submetido a uma agência financiadora. Considere que a resposta para aprovação de uma bolsa ou de um projeto de pesquisa pode demorar em média quatro meses. Enquanto a resposta não vem, siga planejando os outros aspectos de sua estadia.

 

Aspectos familiares

 

Uma das dúvidas de pessoas que pretendem pesquisar no exterior volta-se para os aspectos familiares e para os relacionamentos pessoais.

 

No caso de pesquisadores casados e/ou com filhos, é interessante comunicar o cônjuge, os filhos, os avós e as escolas dos filhos que você realizará pesquisa no exterior. Uma vez que todos saibam de seu interesse, poderão pensar e ajudar nas melhores estratégias para a família como um todo.

 

Não tome todas as decisões sozinho, peça ajuda e discuta sobre qual decisão será melhor para que a família evite problemas futuros. Mostre aos seus familiares para onde você quer ir, porque precisa ir para lá e quais são os benefícios para a família. Escute a opinião deles e tome a melhor decisão para todos.

 

Considerando várias experiências, recomendo que o pesquisador leve consigo filhos, cônjuge e/ou eventual companhia para os filhos, pois não é fácil ficar longe da família por muito tempo e o estado de solidão pode fragilizar em alguma medida o desempenho acadêmico no exterior.

 

Custos envolvidos

 

Estudar ou pesquisar no exterior não é barato. Mesmo no momento da preparação, ou seja, antes mesmo da obtenção efetiva da bolsa ou do financiamento, é preciso ter recursos para eventual tradução juramentada de documentos e diplomas, obtenção de passaportes válidos, vistos, realização de exames médicos etc. Estes custos não são cobertos pelas agências financiadoras nacionais.

 

De forma geral, as agências de financiamento brasileiras cobrem passagens aéreas e seguro saúde para o bolsista e um dependente. Algumas cobrem pequeno adicional de alimentação para cada dependente até o limite de quatro dependentes, mas as passagens aéreas e seguro saúde dos demais dependentes são por conta do bolsista. Em linhas gerais, as bolsas ajudam a manutenção no exterior, mas não cobrem todos os custos envolvidos. Certamente, será necessária uma renda a mais que a bolsa (salário, poupança, ajuda de familiares etc.) para uma vida normal no exterior.

 

Moradia no exterior

 

Já tendo solicitado a bolsa na agência financiadora brasileira, faz-se necessário buscar imóveis para futura moradia. Nesta etapa, consulte:

 

·         Sites internacionais de aluguel de imóveis;

·         Google Earth para analisar bairros, ruas e potenciais riscos;

·         Google Maps para calcular distâncias e modos de transporte disponíveis;

·         Sites de transporte urbano da cidade onde se pretende habitar.

 

Considerando os custos envolvidos, é interessante ter uma lista de potenciais imóveis que possam ser visitados e alugados logo nos primeiros dias de sua chegada ao exterior, evitando o transtorno de ficar em hotéis ou não ter uma moradia definitiva.

 

Caso você tenha filhos, será interessante contatar escolas mesmo antes de sua partida, bem como obter carta de aceitação para eles nas escolas próximas onde você irá trabalhar ou morar. Assim, será preciso acessar também sites de escolas públicas e privadas para seus filhos e realizar algumas trocas de mensagens com diretores e coordenadores pedagógicos.

 

Reserve em torno de dois a três meses para pensar em sua moradia no exterior, bem como, se for o caso, escolher a escola onde seus filhos estudarão.

 

Inserção no grupo de pesquisa internacional

 

A pesquisa no exterior pode ter múltiplos propósitos, todavia no contexto das instituições de ensino e pesquisa brasileira um dos propósitos úteis é a inserção do pesquisador em um grupo de pesquisa internacional. Tendo em vista este objetivo, a chegada ao centro de pesquisa no exterior não é o ponto final de um percurso, mas um ponto intermediário que requer igualmente alguns planejamentos, conforme será discutido a seguir.

 

Cronograma

O tempo passa rápido! O seu cronograma inicial de pesquisa deve ser seguido à risca e deve contemplar tanto o tempo para o desenvolvimento do projeto de pesquisa, quanto tempo para participar de interações com o grupo de pesquisa, quanto tempo para produzir publicações junto ao grupo de pesquisa. Todas estas atividades integrarão seu relatório para a agência de fomento que financiou sua estadia.

 

Além do cronograma de pesquisa propriamente dito, inclua no seu planejamento pessoal algum momento de férias antes do início das atividades internacionais, pois essas são muito intensas e requerem muito esforço diário de adaptação a costumes e culturas, seja do pesquisador, seja dos dependentes do pesquisador. Algum tempo de descanso é fundamental para manter o equilíbrio físico e mental.

 

Idioma

 

Quanto maior o domínio do idioma estrangeiro, melhor será o processo de comunicação com o grupo de pesquisa no exterior e melhor será sua interação geral. Dessa forma, é importante investir neste aspecto diariamente, antes, durante e após sua estadia no exterior.

 

Meses antes da partida escute palestras e programas radiofônicos do país que será visitado. Acesse e grave, via web, podcasts e escute-os com frequência diária no cotidiano.

 

Este exercício economizará muito de seu tempo diário no processo de comunicação em língua estrangeira. Lembre-se também que quanto maior a quantidade de idiomas conhecidos, maior será a facilidade de inserção no grupo de pesquisa e no contexto da universidade estrangeira, já que universidades de alto nível costumam possuir um corpo discente e docente internacional onde a interculturalidade é grande.

 

Formas de trabalho e interação com o grupo de pesquisa

 

Você não será aceito em um grupo de pesquisa internacional se não assumir o padrão de comportamento do grupo. Dessa forma, não espere que sua inserção no grupo de pesquisa seja dada como certa ou óbvia. Portanto, seja pró-ativo:

 

·         Participe de todas as reuniões e atividades do grupo de pesquisa, mesmo que estas não estejam plenamente relacionadas ao seu projeto de pesquisa;

·         Apresente oralmente e/ou por escrito o seu ponto de vista nas reuniões e atividades do grupo de pesquisa, consubstanciando sua perspectiva por meio de referências e/ou evidências científicas. Evite apresentar pontos sem fundamentação, ou seja, falar por falar;

·         Cumpra os compromissos assumidos perante o grupo de pesquisa. Não chegue atrasado, não apresente desculpas, não faça algo mal feito, não desapareça, pense em futuras cooperações e parcerias com o grupo;

·         Siga princípios éticos de cooperação e reciprocidade.

 

Metodologias de pesquisa

 

Para ter êxito no processo de inserção em grupo de pesquisa internacional, esteja sintonizado e estude as metodologias de pesquisa usadas pelo grupo de pesquisa. Leia livros, artigos, materiais didáticos, participe de palestras, encontros e conferências nas quais as metodologias empregadas pelo grupo são debatidas.

 

De posse deste conhecimento metodológico, mapeie as limitações e contribuições de cada abordagem (pesquisa qualitativa, pesquisa quantitativa e pesquisa mista) e quais são suas efetivas contribuições e experiência em cada modalidade de pesquisa.

 

Este conhecimento permitirá que você reconheça no grupo de pesquisa situações em que sua expertise é útil ou não, ou projetos nos quais você tem um grande potencial de ser autor, coautor ou colaborador.

 

Adequações ao projeto inicial

 

A efetiva participação no grupo de pesquisa o levará a rever o projeto de pesquisa para aperfeiçoá-lo. As adequações podem ser de várias ordens, incluindo adequações de objetivos e de metodologia.

 

Durante as reuniões do grupo de pesquisa, é interessante, sempre que possível, apresentar o estado do desenvolvimento de seu projeto a fim de obter sugestões e recomendações. Evite trabalhar de forma isolada, pois desta maneira não conseguirá usufruir dos benefícios de estar em um grupo de pesquisa internacional. Compartilhe suas ideias sem medo de receber críticas, sejam positivas ou negativas. Tome nota de tudo, reflita e implemente o que for possível.

 

Assuma a posição de que o seu projeto de pesquisa atual é apenas um dos muitos projetos que desenvolverá com grupos de pesquisa no exterior e que sua inserção no grupo será útil para o Brasil, para sua instituição e para a construção de uma ciência com menos vieses.

 

Resultados

 

Quer se queira ou não, o desenvolvimento de pesquisa ou de estadia acadêmica no exterior deve redundar em resultados. Estes podem ser de caráter científico, de caráter acadêmico, e de caráter pessoal.

 

Os resultados científicos são aqueles que podem justificar seu projeto de pesquisa no exterior. Abarcam: submissão e publicação de artigos conjuntamente com o grupo de pesquisa no exterior; submissão e participação em projetos de pesquisa com o grupo de pesquisa no exterior; obtenção de recursos para pesquisa conjuntamente com o grupo de pesquisa no exterior etc.

 

Os resultados acadêmicos são aqueles que contribuem para o crescimento profissional ou institucional, não necessariamente relacionados ao projeto de pesquisa. Incluem: participação em eventos; cursos e treinamentos; participação em debates institucionais e enquetes. Ou seja, incluem todas as atividades que possam contribuir para o crescimento individual ou que possam ser de interesse da instituição e/ou do departamento de origem.

 

Os resultados pessoais são aqueles não necessariamente associados à vida profissional, podendo incluir muitos aspectos como aperfeiçoamento linguístico ou ampliação de conhecimento cultural.

 

Estes resultados para serem alcançados requerem dedicação durante estadia no exterior e devem estar contemplados nos cronogramas e planejamentos iniciais do pesquisador. Lembre-se que, para sua instituição e para as agências de fomento nacionais, apenas resultados pessoais não são justificáveis ou suficientes.

 

Conclusão

 

Sem planejamento e propósitos explícitos, estadias de pesquisa ou acadêmicas no exterior podem ser frustrantes para todos os envolvidos. Portanto, antes de tomar sua decisão, informe-se e planeje-se o melhor possível. Evite:

 

·         Escolher centros de pesquisa sem reputação acadêmica internacional;

·         Escolher grupos de pesquisa sem solidez em publicação e projetos;

·         Permanecer menos de um ano no exterior quando o objetivo for o de inserção em um grupo de pesquisa internacional;

·         Ser atraído por facilidades de financiamento de estadia em curto prazo no exterior desconectadas de um propósito acadêmico, e/ou institucional e/ou científico;

·         Ir ao exterior sem traçar os resultados a serem alcançados;

·         Encarar pesquisa no exterior como tempo de lazer;

·         Deixar de exigir e arquivar documentos por escrito de todas as pessoas (no Brasil e no exterior) envolvidas no processo de sua pesquisa no exterior, já que acordos informais podem lhe trazer algum tipo de prejuízo e/ou de desgaste durante a estadia no exterior.

 

Finalmente, mais uma questão importante: qual o ganho de se integrar em um grupo de pesquisa de um centro reconhecido internacionalmente? Entende-se que o principal ganho é ter acesso às metodologias e instrumentos validados, ou seja, que podem ser, ao menos em tese, aplicados em diferentes contextos e culturas. Além disso, a pesquisa realizada em grupos internacionais abarca não apenas uma visão do mundo. Tende a ser mais debatida, mais criticada e mais sólida, justamente porque não resulta da construção isolada de um individuo, mas de um grupo de indivíduos de diferentes origens, culturas e nacionalidades. Tal dinâmica parece redundar em uma ciência mais aceita e mais facilmente publicável em periódicos relevantes.

Como citar este texto

 

Galvão, M.C.B. Pesquisa e estadia acadêmica no exterior: roteiro para inocentes. 19 de abril de 2012. In: Almeida Junior, O.F. Infohome [Internet]. Londrina: OFAJ, 2011. Disponível em: http://www.ofaj.com.br/colunas_conteudo.php?cod=677  

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MARIA CRISTIANE BARBOSA GALVÃO

Professora na Universidade de São Paulo, Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto. Sua experiência inclui estudos na Université de Montréal (Canadá), atuação na Universidad de Malaga (Espanha) e McGill University (Canadá). Doutora em Ciência da Informação pela Universidade de Brasília, mestre em Ciência da Comunicação e bacharel em Biblioteconomia e Documentação pela Universidade de São Paulo.