POR QUE DECIDIU SER BIBLIOTECÁRIO?


MARÍLIA LUDGERO - BIBLIOTECÁRIA - RIO DE JANEIRO

Meu desejo de ser bibliotecária surgiu quando eu era ainda uma jovem professora primária. É que sempre fui uma leitora compulsiva, e todos os ambientes livrescos - livrarias, sebos, bibliotecas, feiras de livros, bienais do livro etc. - me deixavam, e até hoje deixam, com água na boca. Eram lugares onde me sentia, e sinto, como pinto na lama. Então, talvez ingenuamente, achei que se me fizesse bibliotecária estaria unindo vários úteis a outros tantos agradáveis.

Os anos se passaram e só quando me aposentei, ainda nova (43 anos), decidi de fato tentar a carreira.

Já no segundo período, desanimei com as matérias técnicas. Quase desisti! O que me ancorou ao curso foi o conselho de uma colega: "Marilia, faz um estágio em alguma biblioteca. Você vai se sentir melhor, pondo em prática o que as matérias ensinam."

Assim fiz, e de fato abriu-se para mim uma janelinha de descobertas. Nos bastidores da biblioteca em que estagiei, passando por todos os setores, encontrei um ambiente amigável, tal como já encontrava na faculdade, e descobri que de todos os "fazeres" biblioteconômicos minha vocação era atender usuários.

Terminei o curso, formei-me, fiz amizades eternas, mas quis o destino que eu nunca viesse a me tornar uma bibliotecária-de-carteirinha. Como tal, fiz apenas dois trabalhos temporários, tentando organizar, a convite dos padres, as bibliotecas de suas igrejas, em cidades do interior do Rio de Janeiro.

Depois, ainda mexendo com livros, fiz curso de encadernadora e cheguei a criar uma firma (virei microempresária!). Mas que serviço mais braçal e estressante o de recuperar livros maltratados!

Fechei a firma e só então, para minha eterna felicidade, resolvi seguir o conselho de uma professora sábia e querida, até hoje minha amiga, e me tornei revisora, autônoma, de português.

Assim, felizmente ainda em tempo, acabei descobrindo que o meu encanto maior era a PALAVRA!

Sempre a PALAVRA, a necessária e controvertida PALAVRA - obra e arma maior do ser humano - a dar um fecho, a dar sentido, a explicar e confundir, a construir e derrubar, a instigar...


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OSWALDO FRANCISCO DE ALMEIDA JÚNIOR

Professor associado do Departamento de Ciência da Informação da Universidade Estadual de Londrina. Professor do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação da UNESP/Marília. Doutor e Mestre em Ciência da Comunicação pela ECA/USP. Professor colaborador do Programa de Pós-Graduação da UFCA- Cariri - Mantenedor do Site.