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Colunas Sueli Bortolin

O INSUBSTITUÍVEL HUMOR DE SYLVIA ORTHOF
[Abril/2005]

Minha intenção não é questionar o designo da Natureza, mas algumas pessoas não deveriam "fazer a passagem" para a outra vida, tão cedo.

Sylvia Orthof partiu muito cedo, no dia 24 de julho de 1997 aos 65 anos, deixando muitos projetos inacabados.

Em livro publicado pela Editora Atual em 1996, denominado "Livro aberto: confissões de uma inventadeira de palco e escrita" consta uma listagem de seu trabalho literário, e nela é possível contar 111 livros (snift! tenho apenas 28), 10 textos teatrais, 01 vídeo e 04 discos.

A própria autora ao se referir a sua obra afirma: "escrevi mais de cem livros, uns cento e qualquer coisa. Acho que meus netos talvez sintam falta de uma avó mais pra crocheteira do que escrevinhadeira sei lá". (Disso eu duvido!).

Sylvia é dona de uma vasta literatura e o conjunto de sua obra é recheado de humor, humor este que dificilmente será substituído. Crendo nisso resolvi escrever a respeito do tom humorado de Sylvia Orthof. No momento da pesquisa (veja que presente!) me encontrei com um texto de Ana Lúcia Brandão (especialista em literatura infantil e juvenil), publicado em 1996 na Revista Releitura da Biblioteca Pública Infantil e Juvenil de Belo Horizonte. O título do artigo é: "Sylvia Orthof e o monstrinho risonho: uma antiga história de amor". Bom! Muito Bom! Recomendo a leitura. E só para assanhar trago para cá um comentário que evidencia a marca humorística de Sylvia, que segundo Brandão está presente na literatura desde o início da década de 80. "Logo, percebemos que Sylvia já estava intuitivamente antenada com vários elementos do humor, elementos estes que vieram mais tarde a se alastrar e se sofisticar, a ponto de criar uma linguagem humorística própria".

Apesar de ser repetitiva, reafirmo, a linguagem humorística de Sylvia Orthof é insubstituível e para quem não conhece as maravilhas dessa autora, passo a citar trechos de alguns dos seus livros infantis.

No livro "A viagem de um barquinho", por exemplo, ela brinca com as peças íntimas do sapo/rei com muita naturalidade. E com a mesma naturalidade ela fala da bunda do rei, observe:

 

Eis que aparece um sapo
de olhar arregalado.

- Meu nome é Anastácio,
sou sapo, mas já fui rei
de uma história de fada.
Lavadeira, estás lembrada?

- Lembro da tua ceroula
que lavei na outra história,
era avó da cueca,
eu tenho boa memória! -
disse a doida lavadeira.
Que doideira!

- Nunca mais usei ceroula,
ser sapo é coisa boa!
Um sapo mostrando a bunda
é coisa mais que normal.
Um rei pelado, coitado,
todo mundo fala mal! -
disse o sapo da lagoa.

 

Em "A velhota cambalhota", a autora além de apresentar uma velha fora dos padrões, ela também faz referência às peças íntimas da personagem da seguinte maneira:

- Ó comadre Cambalhota,
tenha modos de velhinha,
acabei de ver a renda
da perna de uma calcinha

Muita divertida também é a história - "Dona noite doidona". Apesar de penico e urinol, na atualidade, não serem objetos conhecidos pelas nossas crianças, elas gostam muito de ouvir estas palavras e mais ainda das travessuras da Dona Noite.

Tem um vaso de noite, é um vaso noturno. Esse vaso ela usa pra implicar, com o Sol: se o Sol chega cedo, Dona Noite detesta, pois a Noite, de noite, só vive de festa! Pois chegando o Sol, ela pega no vaso... o tal vaso noturno... ela pega e derrama bem em cima do Sol... É um vaso urinol.

Outro texto bem humorado pode ser encontrado no livro - "Uxa ora fada ora bruxa". A personagem é uma fada muito louca que em alguns dias acorda positiva e contente (fada) e em outros dias negativa, querendo mudar tudo e discordando de tudo (bruxa). Ao lermos esse texto nos identificamos, pois a fada tem comportamento muito próximo aos nossos, analise:

Aí a uxa diz: - chega de ser fada, estou enfadada!
Quero uma boa sopa de bruxa,
bem amaldiçoada,
com rabo de rato, morcego assado,
pum de velha, melado de faniquito
amanteigado!"

No livro "Cadê a peruca do Mozart?", brincando com as palavras ela diverte o leitor da seguinte maneira:

A bruxa caiu no rio,
virou uma caravela,
navegou-se, foi embora,
ninguém soube nada dela.
(Nada dela não se diz!
Mas que frase infeliz!)

Outra obra encantadora e debochada é "A vaca Mimosa e a Mosca Zenilda". Ela conta a história de uma vaca que cansada de ser perturbada por uma mosca, acaba por engoli-la. Mas a mosca que não se cansa, mesmo dentro do intestino continua a alvoroçar. Até que como um tufão, ou melhor, um furacão acaba achando a saída e sai em forma de um pum.

Também considero muito engraçado o texto (não sei se as pessoas obesas concordam!) do livro - "Tia Anacleta e sua dieta". Nele a personagem luta com a balança e esta incansavelmente repete: "Ó tia Anacleta, seu peso me mata, ai, não me maltrata e faça dieta!", mas Tia Anacleta não suportando o regime inventa a seguinte mudança:

lixou fora os números
daquela balança.
Escreveu um quarenta
onde havia um oitenta,
mudou pra cinqüenta
onde havia um cem.
Subiu na balança
e pesava a metade!
Valeu a mentira,
que felicidade!"

E para terminar essa prosa, lá vai rosa. Rosa bem colorida para quem alegra "a hora da nossa vida!" E prá quem não sabe, esse é o final do livro - "Ave Alegria" de Sylvia Orthof.


REFERÊNCIAS

BRANDÃO, Ana Lúcia. Sylvia Orthof e o monstrinho risonho uma antiga história de amor. Releitura, Belo Horizonte, p.17-30, nov.1996.

ORTHOF, Sylvia. Ave Alegria. São Paulo: FTD, 1989.

______. Cadê a peruca do Mozart? Belo Horizonte: Miguilim, 1991.

______. Dona noite doidona. Rio de Janeiro: Ao Livro Técnico, 1985.

______. Livro aberto: confissões de uma inventadeira de palco e escrita. São Paulo: Atual, 1996.

______. Tia Anacleta e sua dieta. São Paulo: Paulinas, 1994.

______. A vaca Mimosa e a Mosca Zenilda. São Paulo: Ática, 1994.

______. A velhota cambalhota. Belo Horizonte: Lê, 1986.

______. A viagem de um barquinho. São Paulo: Moderna, 1995.



 Sobre Sueli Bortolin
Doutora e Mestre em Ciência da Informação pela UNESP/ Marília. Professora do Departamento de Ciências da Informação do CECA/UEL - Ex-Presidente e Ex-Secretária da ONG Mundoquelê.

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