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Colunas Sueli Bortolin

LITERATURA DE CORDEL PARA CRIANÇAS
[Setembro/2004]

Isabel Maria de Aguiar

Alguém pode estar se perguntando: o que é mesmo cordel? Então vamos começar pelo início. A denominada Literatura de Cordel ou os Folhetos de Cordel são um tipo de poesia narrativa e popular, escrita em versos rimados e metrificados, geralmente impressos em papel jornal, no tamanho usual de 11cm X 16cm. Possui número variado de páginas, sempre múltiplas de 4, em geral 8, 16, 32, 48 ou 64 páginas. Seus versos contam histórias do reino do encantado, do boi misterioso, de valentia, política, fatos reais... De origem portuguesa, este modelo de literatura expandiu-se, e hoje tem público garantido, fiel às formas fixas da poesia que se apresenta em um formato editorial singular. Muito consagrado no Nordeste brasileiro, os folhetos são respeitados em todo o mundo por ser uma espécie de elo vivo entre a história contemporânea e a medievalidade européia dos trovadores.

Constatamos hoje, que a literatura produzida para crianças conta com uma grande variedade de gêneros e temas em suas publicações, e que o contato com diferentes suportes de leituras (livros, jornais, revistas, Internet, etc.) e com variados gêneros e modalidades textuais, tornarão os leitores iniciantes, mais aptos para a leitura do mundo e da palavra.

Dentre os diferentes suportes de leitura, temos a literatura de cordel. E entre alguns autores que se dedicam ao cordel infantil, vamos falar sobre Raimundo Santa Helena, por ser ele o primeiro poeta a escrever um cordel infantil.

Depois de mais de 430 folhetos de poesia de cordel publicados em diversas línguas, o cordelista Raimundo Santa Helena resolveu investir na formação de novos leitores.

Em 1984, escreveu o primeiro cordel infantil. Depois de escrito, o autor conta que mostrou os originais datilografados ao poeta Carlos Drummond de Andrade. É costume que os cordéis só tenham uma ilustração, geralmente uma xilogravura: a da capa. Mas Drummond aconselhou Santa Helena a publicar o folheto de cordel com uma xilogravura por página. Sugeriu que não fossem usados desenhos de livros infantis e sim as imagens talhadas em madeira, como manda a tradição. Apesar da vontade, o cordelista não podia arcar com os custos das várias xilogravuras que pretendia colocar no folheto. Lançou então, em uma produção artesanal, 6 mil exemplares da 1a edição, com desenhos de Ênio Mota.

O relançamento com novo formato, ilustrado com xilogravuras e não desenhos, só foi possível quando a Editora Entrelinhas se prontificou a publicá-lo.

"O menino que viajou num cometa" é uma delicada preciosidade para as crianças e adultos. Cita personagens históricos, como Joana D'Arc e Tiradentes, e fala de Saúde, de Astronomia e da igualdade entre homens e mulheres. Mas, independente do seu caráter didático, traz uma divertida história de Brasilenho, menino que pega uma carona celeste e como "anjo foguete" chega à lua.

"Sou chamado Brasilenho
Meu nascimento se deu
Num campo de futebol
Quando meu time venceu
E mamãe pulou buchuda!
Numa bandeira graúda
O papai me protegeu..." (p.5)

 

Aí..., você vai ter que ler para saber o final da história!!!

Link para o cordel na íntegra: "O menino que viajou num cometa" de Raimundo Santa Helena - http://www.museudofolclore.com.br

E.T.: a Biblioteca Central da UEL possui a 1a edição, com desenhos e não xilogravuras.

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Isabel Maria de Aguiar - Bibliotecária da Biblioteca Central da UEL - aguiar@uel.br



 Sobre Sueli Bortolin
Doutora e Mestre em Ciência da Informação pela UNESP/ Marília. Professora do Departamento de Ciências da Informação do CECA/UEL - Ex-Presidente e Ex-Secretária da ONG Mundoquelê.

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