GERAL


CORRIDA PARA INFORMAR ACHADOS DE ENSAIOS CLÍNICOS


Começam a vigorar em 31 de janeiro de 2022 novas regras para divulgação de resultados de ensaios clínicos na União Europeia. As universidades e instituições de pesquisa envolvidas em testes de novos medicamentos serão obrigadas a declarar as conclusões dos experimentos no máximo 12 meses após o término do trabalho, no caso de fármacos para adultos, e em até seis meses, quando se tratar de remédios pediátricos. Para avaliar até que ponto os pesquisadores estão se preparando para a mudança, a biblioteca Cochrane da Áustria e as organizações não governamentais TranspariMED e Health Action International analisaram a transparência de ensaios clínicos de 26 grandes universidades e hospitais de pesquisa europeus e publicaram um relatório sobre o seu desempenho.

A conclusão foi bastante positiva. Vinte instituições se destacaram pelo empenho em resolver pendências e preencher lacunas no registro de testes de medicamentos. Juntas, elas forneceram recentemente os resultados de 641 testes, o equivalente a 28% dos dados em atraso. A Universidade Médica de Viena, na Áustria, lidera em número de ensaios informados à base de dados da União Europeia: 198 no total. Em termos relativos, divulgou 96% dos dados que devia. Em seguida, aparecem o Charité, hospital universitário vinculado às universidades Humboldt e Livre de Berlim, na capital alemã, com 81% das lacunas preenchidas; o Hospital Universitário de Odense, na Dinamarca, com 80%; e a Universidade Católica de Leuven, na Bélgica, com 69%. “É animador que tantas instituições europeias proeminentes, cada qual responsável por mais de uma centena de estudos de novas drogas, estejam limpando suas pendências”, disse um dos autores do relatório, o cientista político alemão Till Bruckner, fundador da TranspariMED, de acordo com o site da organização.

A evolução, contudo, não é homogênea entre todos os membros do bloco. A Itália e os Países Baixos destoam pelo atraso em cumprir as novas regras. Dados recentes mostram que 90% dos ensaios holandeses e 83% dos italianos aprovados até 2015 não têm ainda resultados divulgados. As duas nações abrigam cinco instituições que não fizeram nenhum progresso até agora: nos Países Baixos, são as universidades de Groningen e Leiden, e na Itália, o Instituto Nacional do Câncer, em Milão, e as policlínicas de Sant’Orsola-Malpighi, em Bolonha, e Gemelli, em Roma. A divulgação do relatório produziu efeitos. Um dia após sua divulgação, a policlínica de Bolonha, que é o maior hospital da Itália, e o hospital oncológico de Milão admitiram o problema e anunciaram que vão solucioná-lo o mais rapidamente possível. Quem não cumprir as regras estará sujeito a sanções de órgãos regulatórios europeus.


Fonte: PESQUISA FAPESP, ano 22, n.309, p.10, nov. 2021

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OSWALDO FRANCISCO DE ALMEIDA JÚNIOR

Professor associado do Departamento de Ciência da Informação da Universidade Estadual de Londrina. Professor do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação da UNESP/Marília. Doutor e Mestre em Ciência da Comunicação pela ECA/USP. Professor colaborador do Programa de Pós-Graduação da UFCA- Cariri - Mantenedor do Site.