O nome da coluna é uma brincadeira em torno do poder da imagem no contemporâneo. Brincadeira séria porque em muitos sentidos a imagem - até mitificada, divinizada - já sacramentou seu poder entre nós. Ela seduz e induz.
Desde que vi "O nome da rosa" passei a me interessar por filmes que mencionam livros e bibliotecas. Um interesse que foi amadurecendo e se ampliando de modo a transformar-se em possibilidade de pesquisa sobre o universo do livro desde a perspectiva do cinema.
O cinema, sem dúvida, injeta vigor no poder da imagem. Na tela do cinema encontramos um espelho. Pelo cinema nos inventamos, curamos nossos traumas, revelamos nossas neuroses. Porque o cinema não é só representação. É apresentação. Presentifica. É fascínio. Sons, imagens, cores, movimento, o cinema, ou o filme, é o meio que solicita de todos os nossos sentidos.
Mas é também, antes de tudo, produto grupal, social, industrial, que tende a representar a idéia coletiva deste grupo ou indústria. Por menos satisfatório que seja o resultado, tecnicamente falando inclusive, a imagem que o cinema projeta não é apenas a imagem que o diretor elege, mas a imagem coletiva, logicamente sob determinado ponto de vista, determinada perspectiva. Assim, mesmo os filmes autorais serão sempre de autoria múltipla.
Há tempos venho coletando títulos e cópias de filmes que enfocam o mundo do livro. Tenho mais de uma centena de filmes registrados e a lista não pára de crescer. Nem sempre é fácil conseguir as cópias. O ofício demanda demoradas visitas a sebos, contatos com colecionadores, atenção à programação da TV.
Alguns filmes da lista são europeus, mas a maioria é de origem americana, porque nenhuma sociedade leva o cinema tão a sério. A sociedade americana se cria e recria através dos filmes.
Diante de tantos títulos, senti necessidade de estabelecer um projeto metodológico para abordar o material. Daí, elegi alguns eixos que servem para balizar o pensamento: a) o processo criativo: o autor; b) profissionais: o bibliotecário, o editor e o livreiro; c) locais: a biblioteca, a editora e a livraria; d) a leitura e o leitor. Portanto, tento contemplar diversos aspectos: da produção, passando pela distribuição e armazenagem, até chegar ao leitor.
Logicamente, as categorias se imbricam e em vários filmes, como na vida, elas se relacionam e se movimentam em fluxos contínuos. Além disso, há filmes em que o livro (ou uma dessas categorias específicas), é personagem principal. Nenhum filme parece reunir tão bem todas as categorias como "O nome da rosa". Nele, o livro (os livros), a biblioteca, o poder, detonam e conduzem claramente a narrativa, e sabemos disso o tempo todo. Em outros filmes, o livro é personagem secundária, mas significativa.
Nesta coluna, não tenho intenção de me prender a estas categorias. Flexibilidade é fundamental, porque desejo desenvolver um espaço interessante, lúdico e também didático sobre o universo do livro no cinema.
Lentamente irei compondo minha lista de filmes (ver) e tenciono apresentar uma análise a cada mês. Além disso, darei indicações de links, livros e outras fontes interessantes sobre o tema (navegar e ler). Tudo em pequenas doses para evitar o enfado.
|