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Colunas Maria Helena T. C. Barros

O QUE QUER O IDOSO?
[Outubro/2011]

As bibliotecas têm acompanhado, em geral, as temáticas atuais em maior evidência. Pelo que podemos perceber, questões de cidadania e de formação de leitores têm sido alvo de suas preocupações; direcionadas para os públicos juvenis e infantis,  quase sempre, buscam cumprir essas metas importantes e valiosas, em termos de prestação de serviços e de atividades culturais, mesmo quando procuradas por estudantes.

 

Nos dias de hoje, ao menos no Brasil, essas são preocupações ponderáveis, já que os fatos observados no cenário nacional, eficientemente devassados pelos meios de comunicação de massa, nos dão conta de que nossa juventude está mal preparada para ler o que quer que seja, bem como escrever e registrar as ideias mais simples, expondo-se pois um sistema educacional de péssima qualidade, por mais que as autoridades no assunto o neguem e queiram justificá-lo como um acerto.

 

Essa juventude, que mal sabe ler e escrever, carece de embasamento para saber o que seja cidadania e quais são os fundamentos para ser um bom cidadão no contexto comunitário e social. Portanto, é necessário e plenamente recomendável que se voltem projetos e ações para envolver esses públicos – infantil e juvenil – em temáticas ligadas à formação de leitores e cidadãos plenos, preenchendo-se outros espaços além da família e da escola.

 

Todavia, “com um olho no peixe e outro no gato”, não dá para esquecer que novos públicos chegam às bibliotecas e que não podem ser postos de lado, à espera de um momento perfeito para se tornarem público-alvo.

 

No Brasil, como em várias partes do mundo de hoje, a longevidade das pessoas aumentou bastante e as estatísticas mostram alguns pontos de estrangulamento:

 

1-   a idade média atual do idoso aponta que esse valor se dilatou muito em relação às gerações anteriores;

2-   o grau de instrução obrigatório e o não obrigatório fizeram ampliar, consequentemente, o nível de conhecimento e o nível cultural, mesmo entre os idosos, até por conta das facilidades de movimentação, de transporte e do acesso aos meios de comunicação de massa, alargando seus horizontes e hábitos ligados a diferentes circuitos culturais;

3-   a vida moderna e o mercado de trabalho mudaram o panorama para os mais idosos, inserindo-os também num sistema de aposentadoria que pouco se parece com aquele que havia em relação a gerações passadas;

4-   consequentemente, o poder aquisitivo e as necessidades de consumo desse contingente social mudaram expressivamente e, hoje, ele se apresenta como sendo bastante significativo, até mesmo em aspectos econômicos.

 

Ao menos pelos motivos expostos acima, além de outros que se possam agregar, tentamos alertar que esse público é pouco levado em consideração nas bibliotecas, como alvo de projetos e serviços a ele dedicado.

 

Sem esquecer dos jovens ou desprezá-los, é necessário  que se invista em ações para o público da terceira idade e que, hoje, chegou às fronteira da quarta idade; é só dar uma olhada nas estatísticas demográficas por faixa etária: o número de indivíduos que atingiram os noventa, cem anos, aumenta rapidamente.

 

Diz o Manifesto da Unesco para a  Biblioteca Pública que ela é para todos, entendida como abrangendo todos os públicos; grosso modo, crianças, jovens, adultos e idosos.

 

O Manifesto da Unesco traça, em linhas gerais, a política interna da biblioteca pública, o que vale dizer aquela relacionada com o(s) público(s) em sua diversidade, inclusive de faixa etária.

 

Se a parte técnica e tecnológica deve ser sempre a mais apurada, os projetos culturais igualmente não podem ficar para trás. Supomos que seja este aspecto que também esteja gerando a preocupação da Frente Parlamentar, recentemente formada pelos deputados federais, em Brasília, levados pela percepção da força exponencial que a biblioteca pública apresenta para o desenvolvimento da sociedade brasileira, tanto quanto a biblioteca escolar, agora amparada pela Lei nº 12244, de maio de 2010, ainda ensaiando para “decolar” de forma universalizada.

 

Se é óbvio considerarmos que existe uma nova longevidade, é imprescindível que consideremos que essa longevidade se dá em meio a um novo contexto, diferente daquele que envolvia nossos avós. Hoje, os idosos se vestem na moda, praticam esportes e frequentam academias, participam de cursos e de eventos sociais e culturais, acompanham os fatos da atualidade pela mídia, não desgrudam dos celulares, além de terem acesso e adotarem as novas tecnologias (em todas as classes sociais, da zona sul à zona leste de São Paulo, por exemplo). Lutam contra os desconfortos físicos trazidos pela idade, demonstrando que o envelhecer na modernidade é cercado de medidas preventivas e curativas mais ricas e de muita criatividade.

 

Mais idoso e mais criativo, o indivíduo de que falamos pode ser visto também como “ser desejante” (que ele sempre foi), com características novas, como tentamos destacar até aqui.

 

Podemos pensar que as bibliotecas públicas, guardados os delineamentos definidos por um estudo do usuário bem elaborado, terão como atender as necessidades e os “quereres” relativos à cultura e ao conhecimento do idoso, como “ser desejante” que ele é e continua sendo, no aspecto caleidoscópico apresentado ao longo do tempo, que nós profissionais da informação precisamos aprender a decifrar, para melhor atendê-lo na biblioteca pública, em termos de leitura, lazer e memória. Estas palavras servem igualmente para bibliotecas, arquivos e museus.



 Sobre Maria Helena T. C. Barros
Livre-docente em Disseminação da Informação (UNESP); Doutora em Ciências da Comunicação (USP); Mestre em Biblioteconomia (PUCCAMP); Especialista em Ação Cultural (USP); Formada em Biblioteconomia e Cultura Geral (Fac. Filosofia Sedes Sapientiae); Autora de livros e artigos científicos publicados no Brasil e no Exterior

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