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BIBLIOTECÁRIO, O TRABALHADOR DO CONHECIMENTO & DICAS PARA AMAR BIBLIOTECÁRIAS

Dedico a coluna deste mês às mulheres, em especial às bibliotecárias, pelo dia 8 de março. Como o mês de março também é uma efeméride aos bibliotecários brasileiros e sendo eu um confesso apaixonado pela Biblioteconomia, presto minha particular homenagem a minha profissão.

O dia 12 de março é uma data sempre caracterizada por eventos, manifestações e gestos dedicados à promoção do bibliotecário brasileiro. Oportunidade de recordar a sua história, de refletir sobre o seu presente e manifestar as expectativas e as esperanças para o futuro.

Em realidade, não é uma data apenas para que o bibliotecário receba merecidas homenagens ou reconhecimentos públicos, ao contrário, é significativa por representar a renovação de um compromisso, de uma responsabilidade profissional para com a sociedade brasileira. Compromisso selado pelo comprometimento do "tudo fazer para preservar o cunho liberal e humanista da profissão de bibliotecário, fundamentado na liberdade de investigação e na dignidade da pessoa humana".

É missão do trabalho bibliotecário, ressaltado tanto em seus saberes práticos quanto nos seus científicos, atuar em defesa dos valores democráticos e da valorização da pessoa humana. Ações que se concretizam na organização, disseminação, mediação e intermediação que facilitem o acesso à informação e ao conhecimento.

Independentemente dos cenários sociais e tecnológicos com os quais se defronta a sociedade e mesmo a Biblioteconomia, a postura da missão bibliotecária se mantém inalterada, bem como a sua presença torna-se ainda mais necessária.

Diante da expansão das redes eletrônicas de comunicação e informação a envolver todos os setores sociais e econômicos, a atividade bibliotecária se consolida em importância e significados na medida em que busca se adequar.

Karl Albrecht (guru da qualidade dos serviços), em seu artigo "Dez mitos da Internet", salienta que o ambiente digital encontra-se em estágio terminal de poluição de informação exatamente porque qualquer um pode despejar suas informações em um rio cada vez mais cheio de ciberlixo. A situação pode ser comparada ao paradigma da chamada "Lei da Informação de Gresham", segundo a qual "dinheiro ruim circula fácil", significando, no contexto das redes eletrônicas, que a informação comum ou de pouco valor circula livremente e a de alta qualidade é tratada de modo especial. Assim, produção de serviços e produtos de informações on-line de qualidade serão destinadas a clientes de maior discernimento. Neste sentido, deve-se prestar atenção no importante papel que as bibliotecas desempenharão quando a qualidade da informação se tornar um fator decisivo.

Peter Drucker (pai da administração moderna), em seu artigo "Além da revolução da informação", comenta sobre os impactos da Internet sobre a sociedade e a economia, destaca que o segredo para os países manterem liderança na nova ordem econômica e tecnológica mundial, dependerá da valorização dada aos seus trabalhadores do conhecimento. Cada vez mais o desempenho das nações nos novos setores baseados em conhecimento dependerá de como elas gerenciam, atraem, mantêm e motivam os trabalhadores do conhecimento. Isso terá de ser realizado de algum modo satisfazendo valores pecuniários e concedendo reconhecimento social e poder a esses trabalhadores.

Os tempos mudam, fazem transformar cenários sociais e econômicos. Neste sentido, a informação e o conhecimento tornam-se cada vez mais insumos valiosos para a sociedade. Nesse ambiente, a atividade bibliotecária ganha importância, na medida em que se adapta às novas realidades e demandas informacionais, bem como desenvolve e amplia novos nichos de atuação.

Assim, neste 12 de março, vamos comemorar o dia do bibliotecário, um digno e honrado trabalhador do conhecimento desde os tempos mais remotos até nossos dias. Um profissional com passado, presente e futuro. Assim, enquanto bibliotecário, nego-me a perder o otimismo pela Biblioteconomia (sua renovação e inovação) e a abrir mão de atitudes e ações a favor do aprimoramento da sociedade.

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Dicas para amar Bibliotecárias


A vida estudantil, quando bem vivida, deixa-nos uma saudosa lembrança. Principalmente, quando é a primeira faculdade na nossa formação acadêmica. Com este sentimento, recupero alguns escritos anotados em um (agora velho) caderno do tempo de estudante do curso de Biblioteconomia da PUC de Campinas - SP.

Anotações de um jovem em processo de descoberta de uma profissão, sem completa dimensão da mesma. Ao reproduzir tais escritos, uso da oportunidade para homenagear minha Faculdade e os antigos professores responsáveis por nossa formação e adesão profissional, além dos colegas de sala que o tempo cuidou de separar, mas não de esquecer.

Os escritos com mais de 20 e poucos anos, podem soar piegas, mas devem ser visto como sentimento afetivo e humorado de uma determinada época do século passado, descolado de uma postura formal. Apenas uma saudação às bibliotecárias do Brasil.

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ORAÇÃO BIBLIOTECÁRIA

Senhor, faça-me disseminador das culturas
Não deixando que as idéias percam-se no tempo
Nem o saber padeça solitário nas molduras
Enquanto a ignorância semeia a terra pelo vento

Senhor, guie-me por entre estantes de conhecimentos
Com a certeza de ter a cada instante
Respostas a quem procura ensinamentos

Senhor, permita-me deixar olhos que procuram
Alcançar sempre as páginas imortais da humanidade

(Modesto, 08.03.78)

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LIVRO DE AMOR

Você era um livro
Eu, um livro também
Porém em prateleiras separados
Tombados um pelo outro, esperávamos
Por um casal qualquer de consulentes
Ao mesmo tempo por nós interessados

O tempo passando, velhos ficávamos
E ao expurgo relegados, nosso amor se encaminhava

Mas quis o destino, fosse você declarada obra rara

Quanto a mim, padeci feliz num caixote
Entre livros antigos e resmungões
Que não serviram para mais nada
Nem para dar vida a um belo conto de amor...

(Modesto, 09.09.79)

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AMAR BIBLIOTECÁRIA É....

Ainda, dos tempos da dura, mas gratificante vida de estudante, elenco idéias sobre amar bibliotecárias. Algumas frases pessoais selecionadas (aceita-se colaborações para futuro livro). Como reflexão básica sobre a questão um modesto pensar:

"Somente os homens cultos e inteligentes amam as bibliotecárias, já os ratos as bibliotecas".

Amar Bibliotecária é... quando ela pergunta "Qual o assunto" e você responde, "AMOR".

Amar Bibliotecária é... extasiar-se no conhecimento.

Amar bibliotecária é... todos os dias poder deleitar-se nas mais linda páginas do amor.

Amar Bibliotecária é... automatizar as rotinas diárias para dedicar-se aos desdobramentos da emoção.

Amar Bibliotecária é... guardar os livros na estante e ela no coração.

Amar Bibliotecária é... viver um conto de fadas, dentro de uma antologia romântica.

Amar Bibliotecária é... fazer da periodicidade de seus carinhos o unitermo da vida em comum.

Amar Bibliotecária é... classificá-la no coração, indexá-la na mente e encaderná-la nas mãos.

Amar bibliotecária é... registrá-la como entrada principal, secundária e remissivas no seu coração.

Amar Bibliotecária é... legislar em comunhão a informação da vida a dois.

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Ao finalizar e para não dizerem que não escrevi algo sobre tecnologia, faço uma rápida abordagem. Destaco a principal tecnologia de uma biblioteca ou serviço de informação, os bibliotecários. Aliás, faço até duas recomendações aos usuários que vierem a ler este texto.


1. Na era da Internet, ponha ordem nos seus documentos eletrônicos. Digitalize a Bibliotecária para o seu disco rígido.

2. Organize suas idéias. Instale uma Bibliotecária na memória ROM dos teus pensamentos. Grave-a no disco rígido do seu coração. É o melhor antivírus contra a desinformação e o desamor.


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FERNANDO MODESTO

Bibliotecário e Mestre pela PUC-Campinas, Doutor em Comunicações pela ECA/USP e Professor do departamento de Biblioteconomia e Documentação da ECA/USP.